O velho e bom thrash dos suecos Gehennah

Banda: Gehennah
Título: Too Loud to Live, Too Drunk to Die
Gênero: Thrash/Black Metal
Origem: Suécia
Data do lançamento: 12 fevereiro de 2016
Gravadora: Metal Blade Records (site)

Com mais de duas décadas de carreira e poucos discos gravados, os suecos do Gehennah lançaram em frevereiro deste ano seu mais recente álbum de inéditas, intitulado “Too Loud to Live, Too Drunk To Die”. Mais rocker do que nunca, cheio de riffs de guitarra inspirados na velha guarda do thrash metal e com vocais e alguma influências de black metal, muito poucas poderia dizer, os caras são aquele tipo bem old school.

E se é de um thrash/black metal chapado, cujo álcool exala por todos os poros que estamos falando, os suecos podem ser considerados como um Motörhead da escandinávia. Não é exagero, está lá o gene da banda do Sr. Lemmy Kilmister. O baixo marcante, guitarras de riffs fáceis e toda a energia para se gerar um mosh pit infernal. A diferença fica nos vocais e que eles não são os Motörhead, embora as influências se tornem automaticamente perceptíveis, os suecos são uma banda do caralho.

Para quem curte o velho e bom thrash metal, o som alcoolizado de outrora, certamente “Too Loud to Live, Too Drunk To Die” irá agradar o mais exigente dos ouvintes. Prepare os ouvidos, os coturnos e aumente o som, porque a vontade é de cair no mosh, chutando tudo que aparecer pela frente.

A agressividade do thrash metal, inflências do punk e a sonoridade marcante estão todas concentradas aqui. Um disco muito bom, melhor até que o seu antecessor “Metal Police”.

sima_by_miss_mosh

Gehenna Facebook
Gehenna Bandcamp

Um texto de Igor C. Bersan

Anúncios

Hipinótico

Após a fim da gravadora Cold Meat Industries, especializada em indutrial, noise, dark ambient, darwave e o que mais possa surgir neste seguimento. Isso desde a década de 90, para quem acha que essas sonoridades são invenções recentes, na verdade já tem algumas décadas.

O que importa é que esses músicos migraram para outras gravadoras, sempre que eu descobrir o que andam fazendo, vou postando aqui, compartilhando com vocês estas descobertas.

Surgido na Suécia de 1993 sob o comando de Johan Levin, Desiderii Marginis, projeto solo do músico e que se tornou um dos grandes nomes da cena Dark Ambient/Darkwave mundial, ao lado de nomes como Raison D’être, Ordo Rosarius Equilibrio, Northaunt, Atrium Carceri e mais uma variedade de projetos, é capaz de nos levar por vários mundos, uma musicalidade hipinótica.

Em 14 de outubro de 2014, foi lançado “Hypnosis”, mais recente trabalho de Levin. Como não poderia deixar de ser, excelentes músicas foram compostas, diria até ser um dos melhores disco da carreira do músico. Da mesma maneira como dito no post do Northaunt, a música aqui evoca pensamentos, emoções, imagens mentais e até mesmo um reflexo de expressões interiores daquele que ouve a música.

Diferentemente do ISITD I-II dos noruegueses do Northaunt, este novo trabalho do Desiderii Marginis é mais obscuro, diria até que ele é mais expansivo na sua proposta, possui momentos sublimes, onde temos interpretações positivas, um senso de paz e calma, conseguimos encontrar mesmo que por breves momentos uma felicidade em meio a calma da música, um estado meio de êxtase. Mas também nos leva a um lado que confronta as aspectos mais densos e escuros. Alguns momentos chegam a ser opressivos, como se reconhecêssemos por influência da música que temos um lado escuro dentro de nós. Algo que esta lá guardado e que fazemos questão de esconder. Medos, fantasias irreais, dualidades que não se conciliam, angústias e que na verdade são somente aspectos opostos de uma mesma realidade. Não deveriam ser de forma alguma escondidos, mas reconciliados, os opostos sempre devem ser conciliados novamente, para que se atinja um equilíbrio. Um estado “real” do ser.

“Hypnosis” faz muito bem essa função ao conseguir retratar essa dualidade, conduzir o ouvindo nesta jornada, neste campo de batalha dos sentimentos e emoções que se conflituam. A sensibilidade musical de Levin nos leva mais uma vez a visitar os escombros dos nossos pensamentos.

Confiram o trabalho e quem não conhece, procure ouvir os discos anteriores. Lembrando sempre e isso é importante, que este gênero musical não é para se ouvir no trabalho, em festas ou onde tenha pertubações sonoras no ambiente. Não é atoa que se classifica com “Dark Ambient”, exatamente porque tem a intenção de criar um aspecto no ambiente e é dark devido a esses aspectos mais densos. Eu sempre aconselho a ouvir com fone, ou durante a madrugada, onde esta mais calmo, o ambiente possivelmente sem interrupções.

Facebook

Por Igor C. Bersan

Sentindo a música – Raison D`être

Continuando a falar sobre os estímulos causados pela música e os caminhos que nós levam a esse “sentir”, algo neste caso mais importante do que simplesmente ouvir a música.

No passado usava essas combinações de estímulos da uma forma, que em retrospectiva, hoje julgo ser incorreta. Normalmente vejo a maioria das pessoas fazerem isso.

Se estava, por exemplo, triste. Escutava uma música que me estimulava exatamente neste sentido, normalmente a música era bem obscura. Quando eu estava em um “alto astral”, curtia um rock, uma música mais alegre e rítmica. Na verdade a música neste sentido acaba se configuarando como algo próximo de uma prática meditativa, talvez seja uma capacidade particular minha e de algumas pessoas, em verdade não sei dizer ao certo e provavelmente nunca fique sabendo. Então se estamos em um “baixo astral” e ouvimos músicas que potencializam isso, é certo que o(s) sentimento(s) e emoções relacionados a este aspecto vão se intensificar. Mas cada um dever procurar saber qual é o seu limite. O problema começa quando se enche demais o recipiente a ponto do mesmo transbordar. Por isso, para mim é uma coisa de prática, pode levar a vida inteira e alguns podem nunca nem conseguir entender realmente o que se passa, vão ficar sempre falando que é bizarro e tudo mais. Da mesma forma é com os sentidos e emoções inversas a estas. Uma coisa que pouca gente teve oportunidade de sentir e por exemplo uma alegria “ultra intensa”, se ela cresce absurdamente, algo acontece dentro da pessoa que experiência, fazendo com que os pensamentos negativos comecem a surgir involuntáriamente, é como um dispositivo de proteção. Todos os lados em intensidades elevadas são ruins, a “mente” não conporta muito bem uma alegria exageradamente intensa e nem uma tristeza exageradamente intensa.

Onde reside a dinâmica então? Reside no equilibrar e ouvir de modo invertido. No balanço produzido pela mente, ora vai dos sentimentos e emoções mais hormoniosas e positivas, ora vai por sentimentos e emoções menos harmoniosas e negativas, isso durante praticamente todo o dia. Assim é com todo mundo, salvo aqueles que conseguiram com a prática atingir um nível de equilibrio entre esses opostos. O objetivo aqui é usar a música neste sentido, conciliar harmonicamente os sentimentos opostos. Para isso devemos expor a natureza de um sentimento, com o seu oposto. Até que se consiga fazer isso naturalmente, chegue a manter a nulidade das emoções e possa navegar por esses sentidos sem ser afetados por eles. O caminho é o ponto central onde as duas forças não mais exercem influências sobre esse mesmo ponto. Em verdade e de uma maneira metafórica, a mente deve ser como uma pessoa em uma viagem de barco. Está sendo conduzida, balança conforme o movimento do mar, segue na velocidade do motor, viaja com todo o ambiente circundante e os outros passageiros, mas quem guia o barco aqui não é você e sim o capitão. O passageiro segue a observar a passagem do tempo e a mudança do cenário.

Enfim, se o estado é no sentido da positividade, neutraliza-se ouvindo músicas com sentidos negativos. Se o estado é o negativo, controle ouvindo músicas positivas. Isso é um instrumento externo e que por fim deve se tornar permanente mesmo sem música. Os que conseguirem atingir esse nível, provavelmente vão chegar no ponto chave da questão. Num dado momento do processo a música não mais irá afetar o ouvinte em sentido algum, ele já adquiriu a capacidade de se manter na nulidade. Assim a música fará a sua mágica. O ouvinte poderá ser conduzido por ela, mas sem ser afetado por essa mesma música. Você poderá sentar calmamente e deixar que ela produza imagens em sua mente, isso se quiser usar como um instrumento criativo e artístico. Pode deixar que ela expanda sua mente para interpretações diversas sobre a existência e assim por diante. Cada um encontrará a função do processo.

Diante disso tudo, apresento então Raison D’être. Formado em 1991 na Suécia por Peter Andersson. Surgido na cena industrial e dark ambient, isso quando essa começou a chamar atenção de um grupo seleto de ouvintes. Tenho um especial carinho pelo Raison D`être, principalmente por ser uma música relamente capaz de produzir interpretações emocionais. Não vou expor as minhas, porque acho importante que cada um descubra em si mesmo o que elas produzem.

Peter Andersson é um músico ativo dentro dos gêneros e subgêneros imerso na cena industrial, responsável por projetos como Atomine Elektrine, Bocksholm, Necrophorus, Stratvm Terror, Panzar e outros.

Vou disponibilizar para audição dois discos. Respectivamente o último álbum de inéditas, lançado em 01 de março de 2014 e que se chama “Mise en Abyme”. Na sequência um disco de 2000, este foi o primeiro trabalho do musico que tive a oportunidade de ouvir. O nome do álbum é “The Empty Hollow Unfold” e para mim se configura bem mais obscuro que este novo trabalho.

Raison D’être – Mise en Abyme (01 de março de 2014)

a1079185406_10

 

Raison D’être – The Empty Hollow Unfolds (15 de abril de 2000)

raison

Site
Facebook

Todos os registros gravados pelo Raison D’être estão disponíveis clicando aqui.

Por Igor C. Bersan

 

Anna Von Hauswolff

Pelo vista as mulheres estão com tudo nestes últimos anos, várias cantoras e compositoras com discos espetaculares. Uma coisa interessante sobre o processo compositivo feminino é que elas dão maior enfase ao aspecto emocional da música. Os europeus em geral prezam muito por isso, mas é natural das mulheres uma maior atenção a este lado de compor.

Para demontrar isso apresentamos a cantora Anna Von Hausswolff. Nascida em 6 de setembro de 1986 na cidade de Gothemburg, na Suécia. Segundo entrevistas desde os 3 anos sua mãe lhe obrigou a tocar flauta, posteriormente piano e a participar de aulas de canto. Suas primeiras apresentações ocorreram em 2008.

Aclamada no meio musical como uma nova Kate Bush, muito mais por sua proximidade na voz, do que propriamente pela música. Podemos perceber muitas influências, o experimentalismo de Diamanda Galas, Drone Music, ethereal, darkwave e etc. Dona de um voz imponente, seu álbum intitulado “Ceremony” se estrutura sobre a hármonia de um orgão de igreja. Considerado por alguns como fúnebre pop, o disco tem uma beleza rara.

A uma atmosfera complexa entre a ambientação musical e a voz de Anna, o som é um drone orquestrado pelo orgão e com um andamento lento e minimalista, já o vocal tem uma energia, uma vitalidade que revigora a melancôlia da música. O mais interessante é que funciona muito bem.

Música experimental e inclassificável seria uma boa aposta para descrever as composições de Anna Von Hausswolff.

Abaixo vocês podem conferir o disco “Ceremony” na integra pelo Soundcloud. Infelizmente não esta sendo incorporado com todas as músicas, então deixarei o link.

Para ouvir o álbum clique aqui.

Anna-von-Hausswolff-Ceremony

Por Igor C. Bersan

Horrible Houses – Family Tapes Vol. 1

horriblehouses

 

Horrible Houses é uma banda sueca de indie/experimental/alternativo. Entre fevereiro e julho de 2012 gravaram as músicas contidas neste álbum, cujo título é “Family Tapes Vol. 1”

O line up conta com:

Daniel – guitarra, vocal, bateria, baixo, samplers
Dan – bateria na faixa 5
Tammy – baixo na faixa 5
Paul McCartney – baixo na faixa 3

Altamente recomendado para quem curte o estilo. Não tem aquele formato pasteurizado das gravadoras e das bandas comuns do estilo que tanto tocam nas rádios.

Para conhecer mais visitem o perfil no facebook https://www.facebook.com/pages/Horrible-Houses/188334994532522