Uma noite no deserto com Fodastic Brenfers, Broken & Burnt e Muñoz

As últimas semanas tem sido quentes em Belo Horizonte, as temperaturas beirando os 40 graus e os neurônios fritando no calor. A produtora Deserto Elétrico tem feito as noites de quinta-feira ainda mais quentes e os malucos fecharam com a Casa de shows e bar “Santa Praça”, na tradicional praça Duque de Caxias, localizada no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte uma série de shows. Local já consagrado como tradicional reduto de músicos e boêmios da capital mineira.

Resolvemos ir numa destas “Noites do Deserto” pra conferir de perto o show de lançamento do novo álbum dos Muñoz Duo (MG), uma paulada denominada “Smokestack”, lançado oficialmente no dia 06/09/2016. Duas outras bandas foram convidadas para o agito, Fodastic Brenfers (MG) e Broken & Burnt (ES), que acabou se revelando uma grata surpresa.

A apresentação começou com o Fodastic Brenfers agitando a galera e seu Rock denso, como uma cortina de fumaça branca de influências StonerPunkMetal. Letras incendiárias detonaram um set pesado e contagiante, com algumas músicas que consegui reconhecer do EP “Québec”, lançado em 2015.

Na sequência tivemos o Broken & Burnt que deu iniciou a sua saga Sonora de forma cadenciada, apresentando uma musicalidade Sludge Doom, porém, com muitas influência da cena alternativa americana dos anos 90, principalmente nos vocais, que as vezes soam como Acid Bath. Curti muito a banda ao vivo, sendo que tocaram seu set baseado em seu novo trabalho, “It Come to Life” de 2016 .

Para fechar a noite os irmãos Samuel e Mauro Fontoura foram ao palco pra montar o set e iniciar sua destruidora apresentação. Com seu hard Stoner Rock envolvente e com personalidade suficiente para aos mais exigentes, era o característico som dos Muños nos levando de volta aos 70´s…. Putz viajei!!! Kkkkk, mas é por aí mesmo! A dupla realmente destruiu com sons do álbum Nebula de 2013 e do novo disco recentemente lançado Smokestack. Para uma banda com dois integrantes apenas, os caras conseguem fazer um barulho alucinante, uma apresentação profissional e de qualidade ímpar.

Não poderia finalizar sem parbenizar mais uma vez a iniciativa dos produtores da Deserto Elétrico, Merlim e Fabio Mazzeo. Sempre em busca de alternativas para movimentar a cena autoral. Se ligue na página no Facebook da produtora Deserto Elétrico e acompanhe a agenda de shows!

Facebook

Deserto Elétrico
Fodastic Brenfers
Broken & Bunrt
Muñoz
Infrasound Records

Para quem quiser conhecer um pouco mais das bandas, só clicar nos links abaixo e curtir o som dos caras. Não deixe de adquirir o material e apoiar as bandas nacionais. Curta, compartilhe e deixe os seus comentários.

Broken & Burnt – It Comes to Life (2016)

Muñoz – Smokestack (2016)

Fodastic Brenfers – Québec (2015)

Um texto de Lucas Alexandre/Fotos: Lucas Alexandre 

III Festival Rock do Deserto: dois dias de som autoral chapado em BH

Chega a ser um pouco constrangedor, pela obviedade, mencionar a importância da música autoral. Mas esse clichê às vezes se faz pertinente em meio a circuitos do rock cover e tendências duvidosas. Longe de simplesmente reclamar ou apontar possíveis culpados, a intenção é sempre de valorizar e promover atitudes positivas, como as da produtora Deserto Elétrico, de Belo Horizonte, responsável pelo Festival Rock do Deserto – um dos oásis de frescor cultural na cena da cidade.

Em sua terceira edição, o evento de Stoner Rock trouxe à tona todo o profissionalismo de jovens bandas que mantêm pulsante um cenário atrativo para quem aprecia uma boa música pesada, densa e chapada na terra das alterosas. Nos dias 28 e 29 de julho, a casa de shows A Autêntica foi escolhida acertadamente – pela proposta e estrutura do local -, para sediar o III Festival Rock do Deserto. E o público pôde conferir uma boa amostra da atual safra mineira, além de uma sessão de porradaria ultrassônica gringa por conta dos californianos do The Shrine.

Primeiro dia

O festival começou bem, pois os malucos da banda Mad Chicken vieram de Arcos, interior de Minas, para dar início à chapação. Se à primeira vista parecem meros adolescentes que se conheceram no colégio e resolveram formar uma banda, não se engane, pois é essa mesma a história deles. Embora seja um grupo formado por jovens aparentemente obcecados por galinhas – o nome da banda e músicas do naipe de “Chicken Shit” e “Why the Chicken Cross the Street?” servem como amostras -, o Mad Chicken usa a ingenuidade ao seu favor e afasta quaisquer dúvidas acerca de seu potencial imediatamente pelo alcance vocal de Filipe Xavier e por um som coeso, com nítidas influências do Grunge.

A influência Grunge viria a se fazer presente nas duas apresentações seguintes: as das pratas da casa Lively Water e Green Morton. A primeira evoca Soundgarden e Audioslave em sua sonoridade e, principalmente, no timbre do vocalista Henrique Parizzi, que se assemelha bastante ao do Chris Cornell – sim, isso é um elogio. Na sequência, o Green Morton apresentou ao público, em primeira mão, os sons de seu aguardado primeiro álbum cheio, “Ultradeepfield” – petardo cuja data de lançamento se daria algumas poucas semanas após a apresentação.

Para encerrar a primeira noite do festival, ninguém seria mais apropriado do que The Shrine. No embalo dos principais festivais europeus, como o Hellfest, e de abrir shows do Slayer, a banda de Venice veio iniciar sua turnê sul-americana em BH e trazer abaixo o palco d’A Autêntica. Se a premissa do Stoner Rock – e de todo rock pesado, para ser realista – é o Black Sabbath, aqui esse ponto de partida vai de encontro ao Black Flag. E quando o peso de sons mais tradicionais se une à urgência do Hardcore Punk, é que nos lembramos de que Rock bonitinho demais às vezes cansa e um pouco de sujeira se faz necessário. Um show intenso e sem frescuras que há muito não se via na cidade. Quem tiver a chance de conferir esses doidos ao vivo, não deve desperdiçá-la.

 

Segundo dia

A etapa seguinte do Rock do Deserto privilegiou apenas grupos de Belo Horizonte e começou com uma grata surpresa: Kalfas. Trata-se de uma banda fascinada por temáticas da mitologia e ainda com poucos registros. O que mais impressiona na performance dos caras é a naturalidade com que transitam de sonoridades ambientes e psicodélicas ao Sludge mais desesperado, lembrando um Neurosis em seus momentos mais intensos.

Completar quatro anos de carreira e promover o lançamento de um álbum são motivos para qualquer artista comemorar. E foi isso que o Governator Insane fez na sequência. A diferença é que a ocasião marcou também o encerramento das atividades da banda. Eles, que estiveram presentes em todas as edições anteriores do festival, se despediram nesse clima de contrastes, com emotividade e sons do disco “Youth”. Um belo testamento, até segunda ordem.

A terceira apresentação da noite ficou a cargo do Pesta. Aos primeiros acordes de “Black Death”, fica perceptível que a banda bebe nas fontes corretas: Pentagram, Saint Vitus, Cathedral e, obviamente, Black Sabbath – e é neste último que a banda mais encarna. Do baterista Flávio Freitas, cuja postura remete a um jovem Bill Ward, ao vocalista Thiago Cruz, que mais parece possuído por algum espírito hippie infernal, tudo remete às boas origens do gênero musical aqui celebrado. Isso somado a uma parede de riffs e temáticas insalubres – cortesia do letrista Anderson Vaca -, torna o Pesta um dos principais nomes da atual cena Stoner-Doom-e-afins nacional.

Para encerrar com chave de ouro e um tapa de luvas (de boxe) na cara, a atração mais destoante de todo o festival: Colt.45. Com o recém-lançado álbum “Extinction” nas mangas, a banda destilou toda a sua mistura brutal de Death Metal com algo de NYHC e de metal capiau à la Pantera. Porrada e técnica na medida certa, com destaques para a presença energética do vocalista Marcelo Santana e a precisão cirúrgica do baterista Manfredo Savassi.

Um texto de Frederico Borges e fotos de Lucas Alexandre Souza

Cobertura III Festival Rock do Deserto 

The Shrine ao vivo na A Autêntica/III Festival Rock do Deserto

Extravaganza página no Facebook

Governator Insane, fazendo um link com o primeiro dia do III Festival Rock do Deserto.

A banda mineira Governator  Insane, que se apresentará no dia 29, segundo dia do III Festival Rock do Deserto, é a banda que mais se parece musicalmente com as bandas que irão se apresentar no primeiro dia. O festival abre com bandas que possuem em sua sonoridade influências punk rock, stoner rock, grunge e alternativo, fechando no dia posterior com maior peso e com o doom tradicional aparecendo com maior intensidade. Governator Insane faz o link entre esses dois dias, já que possuem claramente em suas influências o grunge, stoner rock e alguns elementos de classic rock.

A banda teve seu iníco em 2012 e conta com Merlin Oliveira (guitarra/vocal), Rodrigo Salles (guitarra), Rodrigo Reinke (baixo/vocal) e Jon Alberth (bateria). Já conhecida do público mineiro, tendo tocado nas duas primeiras edições do Festival Rock do Deserto e em outros festivais consagrados do estado. Nesses quatro anos de estrada, talvez tenha sido a primeira banda a se apresentar dentro da cena stoner a se formar em BH, pelo menos foi a primeira que eu ouvi falarem com esse rótulo, seguido pelos Pesta, que não por coincidência se apresentará no mesmo dia do festival.

Embora tenha essas influências próximas das bandas a se apresentar no primeiro dia do festival, os Governator Insane possuem riffs de guitarra mais pesados, vocais mais agressivos, é por assim dizer mais metal. Tem umas pegadas de guitarra muito boas para apresentação ao vivo, provavelmente vai fazer muita gente agitar e bater cabeça.

Em sua página no facebook os caras anunciaram como o último show da banda, mais um motivo para comparecer ao III Festival Rock do Deserto, além de apreciar shows de bandas muito boas, quem não teve a oportunidade de ver os Governato Insane ao vivo nesses quatro anos que estão na estrada, está pode ser a última oportunidade.

Apareçam por lá, são muitos os motivos para você ir neste festival. Boas bandas, com boa aceitação do público, boas influências musicais e sonoridades que ao vivo vão fazer a galera enlouquecer.

Página no Facebook
III Festival Rock do Deserto.

Um texto de Igor C. Bersan

Iniciando o segundo dia do III Festival Rock do Deserto com os paulistas Saturndust.

Depois da confusão que eu fiz envolvendo o Jupterian, a banda que abrirá o segundo dia do III Festival Rock do Deserto, dia 29 de julho, será a Saturndust.

O trio formado por Felipe Dalam (guitarra/vocais/sintetizadores), Guilherme Cabral (baixo), e Douglas Oliveira (bateria/efeitos), nasceu por volta de 2010 na cidade de São Paulo. Lançaram três trabalhos de 2012 até agora, sendo “Mardi Grass” e “Sons of Water” de 2012 e por fim um álbum completo em 2015, intitulado “Saturndust”.

Esse segundo dia promete ser tão bom quanto o primeiro, bandas excelentes e já com um reconhecimento de público. A diferença aqui é que o doom se torna um pouco mais presente. Embora repletas de referências tanto Pesta quanto Saturndust se aproximam nesse aspecto.

Para quem não conhece a banda, além dos links para audição que sempre deixo no final do texto, o som dos caras flertam com o stoner rock, doom tradicional e a velha psicodelia que sempre marca a sua presença no gênero. O importante é que os caras conseguem costurar todas essas referências muito bem. Ao ouvir “Saturndust” não há um momento em que a banda soe forçada, ou a sonoridade se torne cansativa.

Uma das coisas que eu gosto na banda é a adequação temática com os efeitos sonoros. Um dos temas em que se inspiram é o cosmos. Os efeitos sonoros, sintetizadores e a própria progressão lenta do doom refletem bem a imagem que se tem do espaço sideral e seus astros silenciosos em movimentos quase imperceptíveis, em órbitas gigantescas e de longas durações.

Todos os músicos estão alinhados, mas o vocal em especial funcionou perfeitamente com a parte instrumental. Entre os vocais de doom tradicional e os gritos de um sludge, rompendo como que em agonia esse silêncio tétrico entre os planetas.

Tantas bandas que apresentamos por aqui com qualidade e os Saturndust estão entre as melhores do Brasil.  É inegável que o país tem produzido bandas de qualidade ímpar, em condições de disputar de igual para igual com qualquer outra parte do mundo.

Quem não comparecer neste festival, vai perder uma apresentação e duas noites grandiosas na história do rock e metal em Belo Horizonte. Depois não digam que eu não avisei. Estaremos lá fazendo uma cobertura e o evento ficará registrado, como prova disso.

Clica no play abaixo, curta o som, se inspire a conferir o festival, corre para compra os ingressos e comente com os amigos. É assim que se forma uma cena, apoiando os produtores, chamando as pessoas e mostrando que tem público, para que outros se estimulem a se dedicarem a produzir para o fortalecimento desta cena. A Extravaganza apoia e vêm para junto com  vocês fortalecer cada dia mais as cenas undergrounds e autorais em Belo Horizonte e Minas Gerais, claro, sempre observando o que se está sendo feito de interessante nos outros estados e no mundo.

13335805_1094740440569537_880622099820086844_n

Página no Facebook
Bandcamp

III Festival Rock do Deserto

Um texto de Igor C. Bersan e fotos de Diego Vasconcelos.

Siracvsa

Tudo está indo muito bem para o cenário nacional em 2016, pelo menos no que diz respeito ao stoner rock, doom metal e todos os gêneros que se realacionam com esta cena. Todos os discos que ouvi e que foram lançados neste ano estão perfeitos. Bandas como Pesta, Son of Witch, Witching Altar, Cattarse, Stone House of Fire entre outras, gravaram discos para entrar na história.

Outra banda que vinha se destacando são os paulistas Siracvsa. Já adianto que a banda mudou o nome para Chant of the Goddess, por isso dibo “vinha”. Em breve eu apresento a vocês essa nova fase dos caras.

A princípio pode parecer meio sem sentido apresentar uma banda que já mudou de nome, porém, para quem curte colecionar e acompanhar mais de perto o cenário musical nacional, conhecer mais da história do metal aqui do país, o post continua valendo, além do reconhecimento que o trabalho dos caras é de primeira. Vale a pena colocar na coleção e quardar, daqui a 10 anos ainda vai ser falado, podem escrever.

A banda foi formada em 2014 por Renan Angelo e tem como influências bandas como YOB, Sleep, Electric Wizard e a música clássica. Com essas inspirações já dá para sacar em que gênero podemos inserir a banda. Sim, este mesmo que você pensou, o doom metal. Não é aquele doom metal de influências death metal, mas aquele que flerta com o tradicional, stoner rock e o sludge.

Mesmo tendo deixado pouco material com o nome Siracvsa, as duas músicas disponíveis são de uma excelentes. Na verdade são três músicas, porém “Judah” e “Judah… The New Begining” são a mesma música, só que versões diferentes, sendo a segunda parte das gravações que farão parte do primeiro lançamento de Chant of the Goddess.

A banda tem peso, música lenta e vocais desesperadores como tem que ser, não deixando nada a desejar para nenhuma banda gringa ou mesmo as boas bandas do Brasil. Tudo isso com temas densos sobre os seres humanos, filosofia e inspirações mitológicas.

Corra atrás do material, guarde no seu acervo, porque essas pequenas obras são atemporais. São apenas uma demo lançado em 2015, contendo duas músicas e um single contendo a versão mais recente de Judah…The New Begining.

Bem que esse material poderia vir como um bônus no lançamento dos Chant of the Goddess. Fica a dica e em breve um pouco sobre o que vem por ai com esta nova fase da banda.

Chant of the Goddess (página no Facebook)
Bandcamp

Um texto de Igor C. Bersan