Os britânicos Paradise Lost em um dos melhores shows do ano na capital mineira

No último dia 21 de outubro, a lendária banda Paradise Lost se apresentou pela primeira vez em Belo Horizonte. A ocasião marcou o encerramento da turnê dos britânicos em solo brasileiro, promovendo o ótimo álbum “The Plague Within”, lançado no ano passado – datas anteriores do giro incluíram São Paulo, Limeira, Rio de Janeiro e Manaus. Na capital mineira, os precursores do Gothic Metal (e não apenas deste gênero), subiram ao palco do Music Hall para o deleite de uma plateia relativamente modesta em número, mas bem empolgada.

Musicalmente, o Paradise Lost corresponde à expectativa de uma banda no alto de suas quase três décadas de atividade e com a formação praticamente intacta. A guitarra de Greg Mackintosh, por exemplo, constitui um dos elementos mais característicos do grupo. Assim como a postura bem humorada, britânica ou irônica mesmo do vocalista Nick Holmes, que, para o bem ou para o mal, acaba por romper com clichês da relação entre fã e artista e rende momentos impagáveis: “Ah, parem com isso”, dizia, gesticulando a mão de cima para baixo, sempre que o público aplaudia demais ou entoava o nome do grupo; ou ainda quando mencionou o Sepultura, revelando logo depois ter sido uma estratégia óbvia para animar os presentes. Além de Mackintosh e Holmes, o Paradise Lost é formado, desde o fim dos anos 80, pelo baixista Steve Edmondson e pelo guitarrista rítmico Aaron Aedy – este último, um dos que mais agita em cima do palco, contrastando um pouco com o clima mais blazé predominante. O único posto rotativo da banda é o de baterista, ocupado atualmente por Waltteri Väyrynen – competente músico que assumiu as baquetas também do Vallenfyre após a saída de Adrian Erlandsson de ambas.

Detentora de uma longa e eclética discografia, o Paradise Lost tem executado um setlist bem abrangente na atual turnê. Claro que agradar a todos é tarefa das mais difíceis, principalmente quando se tem no currículo 14 álbuns de estúdio que vão do pioneirismo no Death/Doom e no Gothic Metal dos primórdios, transitando por incursões à música eletrônica até descambar em um Synthpop à la Depeche Mode – e, posteriormente, passando por um processo de certa maneira reverso, atingindo hoje em dia uma sonoridade que remete até mesmo à das primeiras fases.

Em relação à escolha das músicas, no entanto, o Paradise Lost foi muito bem-sucedido ao elaborar uma seleção que, mesmo incluindo sons de fases distintas, soou harmoniosa e imponente. A apresentação foi repleta de momentos em que fica perceptível coerência em músicas aparentemente díspares. A mais alternativa “One Second”, do álbum homônimo, seguida da pedrada “Dead Emotion”, por exemplo, combinaram perfeitamente. O rock gótico da primeira poderia, afinal, ser uma reverberação da segunda, bem mais antiga, do seminal “Gothic” – álbum de nome sintomático, lançado em 1991 e que já apresentava teclados e vocais femininos. Ou ainda a densa e mais recente “Return To The Sun”, seguida da quase dançante “Erased”. E bons exemplos não faltaram nesse show que começou com um dos atuais hits do grupo, “No Hope In Sight”, e terminou com um generoso bis de quatro músicas a ser encerrado pela obrigatória “The Last Time”.

Setlist:
01. No Hope In Sight
02. Pity The Sadness
03. One Second
04. Dead Emotion
05. As I Die
06. Return To The Sun
07. Erased
08. The Enemy
09. Embers Fire
10. Eternal
11. Beneath Broken Earth
12. Say Just Words
Encore
13. Enchantment
14. Faith Divides Us – Death Unites Us
15. An Eternity Of Lies
16. The Last Time

 

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Century Media Records

Para quem ainda não conhece banda, deixo um pouco do último disco “The Plague Within”, com o videoclipe de “Beneath Broken Earth.

 

Um texto de Frederico Borges/ Fotos: Lucas Alexendre Souza

 

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Uma noite no deserto com Fodastic Brenfers, Broken & Burnt e Muñoz

As últimas semanas tem sido quentes em Belo Horizonte, as temperaturas beirando os 40 graus e os neurônios fritando no calor. A produtora Deserto Elétrico tem feito as noites de quinta-feira ainda mais quentes e os malucos fecharam com a Casa de shows e bar “Santa Praça”, na tradicional praça Duque de Caxias, localizada no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte uma série de shows. Local já consagrado como tradicional reduto de músicos e boêmios da capital mineira.

Resolvemos ir numa destas “Noites do Deserto” pra conferir de perto o show de lançamento do novo álbum dos Muñoz Duo (MG), uma paulada denominada “Smokestack”, lançado oficialmente no dia 06/09/2016. Duas outras bandas foram convidadas para o agito, Fodastic Brenfers (MG) e Broken & Burnt (ES), que acabou se revelando uma grata surpresa.

A apresentação começou com o Fodastic Brenfers agitando a galera e seu Rock denso, como uma cortina de fumaça branca de influências StonerPunkMetal. Letras incendiárias detonaram um set pesado e contagiante, com algumas músicas que consegui reconhecer do EP “Québec”, lançado em 2015.

Na sequência tivemos o Broken & Burnt que deu iniciou a sua saga Sonora de forma cadenciada, apresentando uma musicalidade Sludge Doom, porém, com muitas influência da cena alternativa americana dos anos 90, principalmente nos vocais, que as vezes soam como Acid Bath. Curti muito a banda ao vivo, sendo que tocaram seu set baseado em seu novo trabalho, “It Come to Life” de 2016 .

Para fechar a noite os irmãos Samuel e Mauro Fontoura foram ao palco pra montar o set e iniciar sua destruidora apresentação. Com seu hard Stoner Rock envolvente e com personalidade suficiente para aos mais exigentes, era o característico som dos Muños nos levando de volta aos 70´s…. Putz viajei!!! Kkkkk, mas é por aí mesmo! A dupla realmente destruiu com sons do álbum Nebula de 2013 e do novo disco recentemente lançado Smokestack. Para uma banda com dois integrantes apenas, os caras conseguem fazer um barulho alucinante, uma apresentação profissional e de qualidade ímpar.

Não poderia finalizar sem parbenizar mais uma vez a iniciativa dos produtores da Deserto Elétrico, Merlim e Fabio Mazzeo. Sempre em busca de alternativas para movimentar a cena autoral. Se ligue na página no Facebook da produtora Deserto Elétrico e acompanhe a agenda de shows!

Facebook

Deserto Elétrico
Fodastic Brenfers
Broken & Bunrt
Muñoz
Infrasound Records

Para quem quiser conhecer um pouco mais das bandas, só clicar nos links abaixo e curtir o som dos caras. Não deixe de adquirir o material e apoiar as bandas nacionais. Curta, compartilhe e deixe os seus comentários.

Broken & Burnt – It Comes to Life (2016)

Muñoz – Smokestack (2016)

Fodastic Brenfers – Québec (2015)

Um texto de Lucas Alexandre/Fotos: Lucas Alexandre 

III Festival Rock do Deserto: dois dias de som autoral chapado em BH

Chega a ser um pouco constrangedor, pela obviedade, mencionar a importância da música autoral. Mas esse clichê às vezes se faz pertinente em meio a circuitos do rock cover e tendências duvidosas. Longe de simplesmente reclamar ou apontar possíveis culpados, a intenção é sempre de valorizar e promover atitudes positivas, como as da produtora Deserto Elétrico, de Belo Horizonte, responsável pelo Festival Rock do Deserto – um dos oásis de frescor cultural na cena da cidade.

Em sua terceira edição, o evento de Stoner Rock trouxe à tona todo o profissionalismo de jovens bandas que mantêm pulsante um cenário atrativo para quem aprecia uma boa música pesada, densa e chapada na terra das alterosas. Nos dias 28 e 29 de julho, a casa de shows A Autêntica foi escolhida acertadamente – pela proposta e estrutura do local -, para sediar o III Festival Rock do Deserto. E o público pôde conferir uma boa amostra da atual safra mineira, além de uma sessão de porradaria ultrassônica gringa por conta dos californianos do The Shrine.

Primeiro dia

O festival começou bem, pois os malucos da banda Mad Chicken vieram de Arcos, interior de Minas, para dar início à chapação. Se à primeira vista parecem meros adolescentes que se conheceram no colégio e resolveram formar uma banda, não se engane, pois é essa mesma a história deles. Embora seja um grupo formado por jovens aparentemente obcecados por galinhas – o nome da banda e músicas do naipe de “Chicken Shit” e “Why the Chicken Cross the Street?” servem como amostras -, o Mad Chicken usa a ingenuidade ao seu favor e afasta quaisquer dúvidas acerca de seu potencial imediatamente pelo alcance vocal de Filipe Xavier e por um som coeso, com nítidas influências do Grunge.

A influência Grunge viria a se fazer presente nas duas apresentações seguintes: as das pratas da casa Lively Water e Green Morton. A primeira evoca Soundgarden e Audioslave em sua sonoridade e, principalmente, no timbre do vocalista Henrique Parizzi, que se assemelha bastante ao do Chris Cornell – sim, isso é um elogio. Na sequência, o Green Morton apresentou ao público, em primeira mão, os sons de seu aguardado primeiro álbum cheio, “Ultradeepfield” – petardo cuja data de lançamento se daria algumas poucas semanas após a apresentação.

Para encerrar a primeira noite do festival, ninguém seria mais apropriado do que The Shrine. No embalo dos principais festivais europeus, como o Hellfest, e de abrir shows do Slayer, a banda de Venice veio iniciar sua turnê sul-americana em BH e trazer abaixo o palco d’A Autêntica. Se a premissa do Stoner Rock – e de todo rock pesado, para ser realista – é o Black Sabbath, aqui esse ponto de partida vai de encontro ao Black Flag. E quando o peso de sons mais tradicionais se une à urgência do Hardcore Punk, é que nos lembramos de que Rock bonitinho demais às vezes cansa e um pouco de sujeira se faz necessário. Um show intenso e sem frescuras que há muito não se via na cidade. Quem tiver a chance de conferir esses doidos ao vivo, não deve desperdiçá-la.

 

Segundo dia

A etapa seguinte do Rock do Deserto privilegiou apenas grupos de Belo Horizonte e começou com uma grata surpresa: Kalfas. Trata-se de uma banda fascinada por temáticas da mitologia e ainda com poucos registros. O que mais impressiona na performance dos caras é a naturalidade com que transitam de sonoridades ambientes e psicodélicas ao Sludge mais desesperado, lembrando um Neurosis em seus momentos mais intensos.

Completar quatro anos de carreira e promover o lançamento de um álbum são motivos para qualquer artista comemorar. E foi isso que o Governator Insane fez na sequência. A diferença é que a ocasião marcou também o encerramento das atividades da banda. Eles, que estiveram presentes em todas as edições anteriores do festival, se despediram nesse clima de contrastes, com emotividade e sons do disco “Youth”. Um belo testamento, até segunda ordem.

A terceira apresentação da noite ficou a cargo do Pesta. Aos primeiros acordes de “Black Death”, fica perceptível que a banda bebe nas fontes corretas: Pentagram, Saint Vitus, Cathedral e, obviamente, Black Sabbath – e é neste último que a banda mais encarna. Do baterista Flávio Freitas, cuja postura remete a um jovem Bill Ward, ao vocalista Thiago Cruz, que mais parece possuído por algum espírito hippie infernal, tudo remete às boas origens do gênero musical aqui celebrado. Isso somado a uma parede de riffs e temáticas insalubres – cortesia do letrista Anderson Vaca -, torna o Pesta um dos principais nomes da atual cena Stoner-Doom-e-afins nacional.

Para encerrar com chave de ouro e um tapa de luvas (de boxe) na cara, a atração mais destoante de todo o festival: Colt.45. Com o recém-lançado álbum “Extinction” nas mangas, a banda destilou toda a sua mistura brutal de Death Metal com algo de NYHC e de metal capiau à la Pantera. Porrada e técnica na medida certa, com destaques para a presença energética do vocalista Marcelo Santana e a precisão cirúrgica do baterista Manfredo Savassi.

Um texto de Frederico Borges e fotos de Lucas Alexandre Souza

Cobertura III Festival Rock do Deserto 

The Shrine ao vivo na A Autêntica/III Festival Rock do Deserto

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Rapcore e debate político ao som dos Oficina do Diabo.

Na situação política em que nos encontramos no Brasil hoje, nada melhor do que o debate político e social. A música é um veículo poderoso para tal.

Tanto o Rap quanto o Hardcore/Punk sempre estiveram na frente destes debates, sendo o combustível para a criação tanto estética, quanto para a construção de suas letras. Das mazelas sociais as ideologias políticas, passando pela violência e os dogmas religiosos, estas questões estão sempre conflitando na sociedade e precisam ser debatidas.

E quando os dois gêneros se encontram? É ai que surge o quarteto mineiro Oficina do Diabo. Rapcore cheio de energia e letras que tratam da situação atual do nosso Brasil.

Essa fusão entre o rap, rock ou metal já é algo antigo, porém, tão pouco se ouve falar. Se pensarmos que os primeiros discos dos Faith no More e Red Hot Chilli Peppers já usavam essa fusão, e estas são bandas que tiveram uma boa recurpessão com o grande público. Mais recentemente os Rage Agaist the Machine ou mesmo a onda do nu metal que também se vale de influências de Rap, mas que no meio do rock não é tratado como tal, ficando uma coisa meio subentendida. Pelo menos eu tenho essa sensação.

Talvez ainda se tenha receio desta relação entre muitos da cena rock/metal, mas nós da Extravaganza acreditamos que o diálogo entre gêneros é algo interessante e o radicalismo a cada dia vêm caindo por terra. O que importa é que a proposta musical seja boa e cabe a cada um optar por ouvir ou não.

Essa é uma caracteristica marcante da sonoridade da banda, tem como cerne de sua criação o rap e harcore, mas flerta com outros gêneros. É perceptivel alguma influências de outras bandas. Tratam os temas no ambito da discussão consciente, sem cair na tentação da venda fácil, tratando os temas de forma simplista e apelando para a baixaria.

“Incitando Ódio e Violência” é o primeiro trabalho oficialmente lançado pela Oficina do Diabo. Composto por três músicas que combinam bem o hardcore, metal e o rap. Tem umas bases de guitarra bem legais e os vocais fundem-se bem no instrumental. O destaque para mim fica por conta da música “Ateu”, tem um feeling interessante, uma coisa meio funkeada, groove. Na música seguinte “Afrobrasileiro” marca presença o baixo de Felipe Augusto,  trabalho bem executado pelo mesmo. E as letras, essas eu vou deixar para vocês ouvirem, vou deixar todos os links, acessem e apoiem a banda.

Para quem curte essa pegada, rap ou hardcore, fica ai a nossa dica. Banda daqui de Belo Horizonte, de grande potêncial no cenário nacional. Vale a pena conhecer, até mesmo por ser um gênero que vemos muito pouco sendo falado e divulgado.

Se increva, curta e acompanhe os caras pela internet, para saber mais e fica sabendo das novidades e lançamentos.

Oficina do Diabo - Vertical - Marlon Ossiliere

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 Um texto de Igor C. Bersan

O grand finale do III Festival Rock do Deserto com os Pesta

Já fizemos entrevistas em vídeo, comentamos os álbuns e a banda vem ganhando cada vez mais destaque entre os divulgadores nacionais e internacionais. Se você não reconheceu pela foto da postagem, estamos falando dos mineiro Pesta. A banda é a melhor proposta de doom tradicional de Belo Horizonte, peso, influências setentistas e claro, música de qualidade feita por quem entendo do gênero.

Acha que a maioria no nosso site/blog já deva conhecer a banda, o que dispensa muitas apresentações, mas sempre tem alguém que não conhece ou não se lembra muito bem, deram pouca atenção neste mar de bandas que surgem todos os dias.

Formada em Belo Horizonte por Anderson Vaca (baixo), Thiago Cruz (vocal), Daniel Rocha (guitarra), Marcos Resende (guitarra) e Flávio Freitas (bateria), o som tem inspiração de bandas clássicas ao gênero como Black Sabbath, Pentagram, Saint Vitus entre outras. Só pelas influências já da para começar a pensar na sonzeira que a coisa é.

Posso garantir que é uma das melhores bandas da cena no Brasil, não deixando nada a desejar as bandas internacionais. Se faltava estímulo de boas bandas para você ir conferir um show na nossa capital, esse dia chegou, temos várias bandas muito boas se apresentando nesses dois dias.

Eu não irei nem me delongar muito falando da banda, vou deixar o link da entrevista que fizemos. O link para ouvir o álbum estará disponível abaixo.

Clica no play e confere a sonzeira que você vai perder ou não na noite do dia 29 de julho.

Para ver a entrevista clique aqui.

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Um texto de Igor C. Bersan