A música vanguardista dos noruegueses Solefad em World Metal. Kosmopolis Sud.

Banda: Solefald
Título: Word Metal. Kosmopolis Sud
Gênero: Post-Black Metal/Avant-garde Black Metal
Origem: Noruega
Data do lançamento: 2 de fevereiro de 2015
Gravadora: Indie Recordings (site)

Se é de vanguarda no black metal que queremos falar, certamente um nome a ser sempre citado são os noruegueses Solefald. Formada na cidade de Oslo, capital da Noruega, em 1995 e com 8 álbuns lançados na carreira, a banda é uma das mais inventivas no gênero.

Em 1999 lançaram o disco “Neonism”. Se formos pensar em retrospecto, juntamente com In The Woods…,Dødheimsgard e algumas outras bandas, cuja visão era mais progressista para o padrão black metal da época, o lançamento dos Solefald fugiu completamente a regra. Dos vocais, passando pela forma de escrever as letras e a as composições musicais, tudo parece ter sido pensado fora da caixa. Diria que “Neonism” foi possivelmente um dos álbuns que deram o pontapé para a enxurrada de bandas progressivas e avantgarde que vieram posteriormente no cenário black metal.

Nos anos que se seguiram, lançaram quatro álbuns de inéditas, porém a inventividade presente em “Neonism” se tornaram menos presente na música dos noruegueses. Não que isso faça dos álbuns algo ruim, são excelentes discos, como só os Solefald conseguem fazer. Nesse processo foram firmando a sua temática universalista, cantando em várias línguas, influenciando-se na própria cultura, mas sempre com um olhar na modernidade, na atualidade dessas culturas e assim criaram a sua musicalidade única, atual e ao mesmo tempo difícil de se assimilar por uma grande parte do público black metal.

Após um hiato de praticamente 5 anos, os noruegueses retornam com “World Metal. Kosmopolis Sud”, oitavo disco da carreira e com aquela inventividade deixada a mais de uma década com “Neonism”. A música composta neste álbum tem todas as características dos noruegueses. Elementos eletrônicos, diferentes tipos de vocais, uma variedade de ritmos e harmônias e as características letras complexas e totalmente fora dos padrões convencionais.

Desta vez experimentam temas tribais da Tanzânia, elementos da cultura nórdica, germânica e francesa. Tudo isso associado com o black metal vanguardista que só os Solefald são capazes de fazer. Talvez sejam uma das poucas bandas, se não a única que se possa dizer  que são originais em sua forma de construção musical no cenário black metal dos últimos anos.

Com toda a minha admiração pela capacidade dos noruegueses, é um prazer saber que após tantos anos na estrada tenham ainda capacidade para surpreender e criar um álbum tão interessante, regressando passos atrás para produzir mais uma obra ímpar no cenário black metal mundial.

Que seja cosmopolita ou universalista, o que importa é que Solefald é World Metal e uma das bandas mais interessantes da cena vanguardista que se formou em meio ao black metal e que merecem realmente o título de Avant-garde. Obra prima para quem não é radical e desapegado de restrições estilísticas. Espero que façam uma série de álbuns inspirados, afinal de contas, metal assim como qualquer outro gênero precisa se diversificar, buscar novas formas de se renovar e evoluir como tudo no mundo.

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Tão interessante quanto foi o lançamento de “Norrønasongen. Kosmopolis Nord”, EP lançado em 2014. Vale muito a pena correr atrás deste albúm, até acredito que seria mais interessante se tivessem seguido a linha musical do EP para “World Metal. Cosmopolis Sud”.

Não encontrei na íntegra para vocês ouvirem, mas vou deixar uma música.

Solefald no Facebook

Um texto de Igor C. Bersan

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Uma pegada mais metal em meio a cena stoner com Monster Coyote

Nos últimos anos, com a avalanche de bandas buscando soar como as bandas dos anos 70, a onda de influências blues no final de 2015 e neste início de 2016, além claro da velha parceria do stoner com o doom tradicional, fizeram com que muitos ouvintes se acostumassem com essas sonoridades.

É em meio a cena stoner/doom que tive o primeiro contato com a banda Monster Coyote, pelo menos para mim foi em meio as fanpages e blogs neste seguimento que vejo serem mais divulgados. Diferente da maioria, a sonoridade da banda, tem uma pegada mais metal, com um andamento mais rápido e um flerte com o sludge.

Para quem não tem nenhum tipo de restrição quanto a gênero musical, é uma surpresa saber que temos bons representantes nacionais com outras influências no meio. O sludge é um primo meio que bastardo do stoner, que assim como o doom, estão de certa forma sempre próximos.

Monster Coyote, nasceu na cidade de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte. Na matilha temos Amilton Jr. (guitarra e vocal), Daniel Araújo (bateria) e Julio Cortez (baixo e vocal). Já são três lançamentos na carreira, “Stoner to the Boner” lançado em 2011, “The Howling” de 2012 e mais recentemente “Neckbreaker”, este lançado a pouco tempo, no final de 2015.

Este último lançamento é uma porrada incessante na orelha. Pesado e rápido para os padrões stoner/doom/sludge. Por vez chega a se aproximar de uma sonoridade mais groove, a estrutura é menos arrastada e reta como de costume. Os vocais são agonizantes, urrados como normalmente são no gênero sludge. Não sou um admirador do gênero sludge, para mim esse tipo de vocal combinou melhor aqui, em um som mais rápido do que com músicas lentas e longas.

Riffs pesados de guitarra, bem executados e que associados ao baixo, uma bateria marcante e o vocal agressivo de Amilton Jr. e Julio Cortez fazem de Monster Coyote uma banda de influências metal, com qualidade suficiente para se manter na cena produzindo bons discos por um bom tempo.

Destaque para a música “Leap of Faith” que tem um trabalho de guitarra e bateria muito bom, bases empolgantes e uma bateria que se encaixa muito bem às composições. Tem algo que me lembrou um pouco os poloneses do Behemoth, lógico que aqui mais adequada as influências da banda.

Uma outra coisa interesante sobre os coiotes é a produção de camisetas e a capa do álbum. Sempre muito bem feitas as ilustrações que usam, no caso de “Neckbreaker” a arte ficou a cargo de Hugo Silva da Abacrombie Ink.

É com Monster Coyote que a família de boas bandas nacionais ganha mais um membro. Só nos resta esperar que mais bandas com qualidade apareçam, se depender da galera do nordeste pode ter certeza que sim, sempre surgindo bandas interessantes pelos lados de lá.

Site Oficial
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Um texto de Igor C. Bersan

 

O folk niilista.

Dando uma paradinha no que eu estava fazendo, para divulgar esse lançamento de primeira qualidade para vocês.

O disco que eu trago aqui envolve dois nomes bem conhecidos da cena new wave, Lydia Lunch e Cypress Grove. Ambos estiveram e gravaram com nomes conhecidos no cenário alternativo como Nick Cave, Einstürzende Neubauten e The Birthday Party, além claro de tocarem juntos em outras oportunidades.

O terceiro elemento a participar deste álbum são os Spritual Front, liderados por Simone “Hellvis” Salvatori. Essa banda merece uma postagem de um álbum mais antigo deles e que é muito interessante, mas isso eu deixo para outro momento. Salvatori classificou o som feito no Spiritual Front como “nihilist suicide pop”.

Para começar, vale a pena pela presença dos dois ícones que são Lydia Lunch e Cypress Grove, que fazem as músicas em que aparecem juntos, com exceção de “Unholy Ghosts”, interpretada somente por Lunch. Uma parceria que vale a pena guardar. A segunda coisa é que quem curte, folk, neofolk ou algo mais experimental, esse álbum vai servir perfeitamente.

No geral “Twin Horses” é um folk, no máximo podemos dizer que é neofolk, dado algumas interferências de instrumentos não convencionais do folk tradicional, mas no geral é isso. O duo feito por Lunch e Grove estão mais para o folk, sem fugir muito do gênero, salvo algumas pequenas passagens como em “Put You Down” que tem alguma guitarra e o cover dos Eagles, “Hotel California”.

O que trás uma abordagem nova e mais moderna para o tema folk e neofolk fica por conta dos Spiritual Front. A grande questão é que é um neofolk ou apokaliptic folk, com um que de pop, burlesco e algo das trilhas sonoras de filmes western. Não seria nada tão original o fato de tratarem o folk com uma abordagem pop, já que os franceses do Der Blutharsch também o fazem. Verdade seja dita, Salvatori conseguiu criar a sua característica musical e cunhou o termo que deveria ser sua definição. É música niilista, pop, folk e repleta de interferências atuais e experimentais.

Não podendo me esquecer de citar o fato dos Spiritual Front fazerem um cover de “L.O.V.E. Machine”, da banda norte-americana de heavy metal “W.A.S.P”.

Um disco que me chegou de forma inesperada, com músicos que gosto e fizeram história no cenário alternativo mundial. É sempre bom ouvir um bom disco de inspirações folk, além de ter a assinatura Extravaganza de ser.

Por Igor C. Bersan

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Umbra Et Imago – Die Unsterblichen

2015 mal começou e já está repleto de bons discos, é realmente muito difícil acompanhar a produção fonográfica mundial. É tanta coisa que por vezes ficamos perdidos, além de todas as grandes bandas clássicas que ainda estão ativas, temos uma pancada de bandas e projetos musicais novos.

Uma dessas bandas que já possuem uma história e que teve sua formação em 1991 na Alemanha, é o Umbra Et Imago. Para quem não conhece, a banda toca um gothic rock, com influências de industrial, algo entre um Fields of the Nephilim e Rammstein. “Die Unsterblichen” foi lançado no dia 16 de janeiro deste ano. Diria que não tem novidades em termos de música, é o Umbra Et Imago que as pessoas que acompanham gostam. Vocais cantados em alemão e o característico vocal do gênero, ora ou outra temos alguns vocais incidentes sussurrados e com efeitos. Vocal feminino fazendo um belo dueto em músicas como “Get Off”. O trabalho das guitarras está excepcional, o que pode ser percebido em “Die Unsterblichen” e  “Sex Vampire”.

Um belo disco para constar na coleção dos amantes do gothic rock como só os alemães sabem fazer. Umbra Et Imago é uma banda que já tem experiência de sobra para criar grandes álbuns, surpreende ainda terem fôlego para manter a qualidade após tantos anos de estrada. Com suas temáticas fetichistas e seu visual que parece ter saído da mais tenebrosa escuridão, vindo ao mundo dos mortais.

Ao vivo para conhecerem um pouco mais dos músicos e do visual da banda.

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Por Igor C. Bersan

Carpenter Brut – Trilogy

Um pouco antes do filme “Drive” ser lançado em 2011, mais ou menos 1 ano antes para ser exato, conheci um projeto de música eletrônica chamado “Pertubator”. O gênero que tinha na descrição do bandcamp era 80’s, synthwave, electro e vintage synths. Inserido numa atmosfera dos filmes da década de 80, como Fuga de Nova York, ou com temas pós apocalípticos, violentos e com médio a baixo orçamento. Ao ouvir fica fácil lembrar de algumas trilhas. É essa a temática da música, imagine o Mad Max, misturado com cyberpunk e futurista. É isso.

Quando lançou o Drive, a trilha principal foi composta por um projeto chamado Kavinsky, que é comandado por um músico nominado DeadCruiser. Mesmo gênero e vale a pena conhecer. Foi com essa trilha que busquei conhecer mais o gênero, que tem uma quantidade considerável de projetos interessantes.

Trago aqui o Carpenter Brut, venho acompanhando os lançamentos e agora em 2015 foi lançado o novo disco, intitulado “Trilogy”. Continua na mesma pegada, acho até um pouco mais interessante que os primeiros três EP’s. Esse novo trabalho parece ter uma energia e até mesmo uma pegada mais electro. Claro que não deixa de lado a referência ao symthwave e aos temas dos anos 80. Quem tiver mais de 25 anos e curtia esse tipo de cinema provavelmente vai lembrar do que estou falando, já quem é mais novo vale a pena conferir, porque é realmente muito bom. Apesar de ter essa ligação com os anos 80, a música tem a sua energia e o seu aspecto contemporâneo.

Segue o perfil do Bandcamp para quem tiver interesse em ouvir os lançamentos anteriores.

Bandcamp Carpenter Brut

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Por Igor C. Bersan