“Adiante” com os alagoanos Necro

Banda: Necro
Título: Adiante
Gênero: Hard Rock/Psicodélico
Origem: Brasil
Data do lançamento: 19 de dezembro de 2016
Gravadora: Abraxas (Facebook)

Nada melhor do que começar a comentar esse álbum com algumas curiosidades interessantes sobre o mesmo. A primeira diz respeito a arte da capa, ilustrada pelo também alagoano Cristiano Suarez. Artista esse que já vem ganhando um espaço na cena nacional e internacional, tendo ilustrado para algumas bandas como por exemplo, Leafy (Noruega), I Am the Sun (Brasil), Bullet Proof Lovers (Espanha) e Laptop Funkers.

A parceria com os Necro já é antiga, se não me engano todos os lançamentos da banda foram ilustrados por ele, com exceção de “Deuses Suicidas”.

Trabalho muito bem executado, cores vibrantes, com uma espécie de ser da natureza, talvez um elemental, lembrando um pouco “O monstro do pântano”. O ser saindo da terra em meio a um cultivo de cogumelos, bem conceituado com a coisa das viagens produzidas pelo uso de alteradores de consciência como LSD, Cogumelos ou Ayahuasca. No meio disso um casal de humanos, uma espécie de adão e eva, nascendo para esse mundo psicodélico.

Conceitualmente perfeito, além de magnificamente ilustrado.

A segunda curiosidade é que o álbum será lançado pela Abraxas, entidade já conhecida no cenário stoner rock e afins aqui no Brasil. Agora além de ser uma produtora, começa essa nova empreitada, que é gravar bandas nacionais, dando mais um “up” no trabalho que estão fazendo no país. Já tem alguns nomes envolvidos com a gravadora e aos poucos vamos divulgando aqui.

Pessoal que tem banda,  ficar de olho tanto no artista, para ilustrar os albuns e o que mais precisarem e na Abraxas para futuros lançamentos.

iii

Dito isto, vamos falar agora um pouco da banda. Nascida em Maceio em 2009 e tendo na sua formação Lillian Lessa (baixo, guitarra, voz), Pedro Ivo Salvador (guitarra, baixo, voz) e Thiago Alef (bateria), a banda flerta com uma sonoridade inspirada no hard rock setentista e claro no rock progressivo e psicodélico. Começaram com o nome Necronomicon  e lançaram com este nome um EP autointilulado, isso em 2011, posteriormente lançam “The Queen of Death”, no ano seguinte. Eu diria que a banda tinha uma coisa mais doom e sabbathica neste período.

Não sei exatamente quando se deu a ideia de mudar o nome para Necro, mas em 2014 lançam um single, intitulado “Dark Redemption” e a sonoridade ainda tem uma coisa meio doom, mas já com um vocal feminino mais para as bandas denominadas occult rock, como Blood Ceremony, Alunah e Purson. Ainda no mesmo ano lançam outro single, intitulado “Grito”. A sonoridade continua, mas talvez aqui comece a surgir uma transição na músicalidade da banda, é a primeira música em português se não me engano.

A saga dos Necro em 2014 continua e lançam o álbum “Necro” já quase no final do ano. O disco apresenta as músicas dos singles e mais três novas músicas e agora o som começa a ter uma pegada mais hard rock, ficar um pouco mais rápido e mais psicodélico, passam também a adotar mais frequentemente as letras em português.

Em 2015 lançam um single intitulado “Contact” e um split álbum com outra grande banda do cenário nacional, os Witching Altar.

10441312_856344597727937_2354116810625927089_n

Chegamos ao ano de 2016 e já em agosto lançam o single “Deuses Suicidas”, que tem uma pegada bem forte de stoner rock, na minha opinião. As letras, visual e o conceito da banda já estavam bem consolidados com a estética psicodélica. Em setembro lançam “Viajor”, outro single, música com um feeling mais hard rock.

Agora nos brindam com “Adiante”, lançado hoje e que apresenta as músicas dos dois singles e mais 5 músicas inéditas. Quem curte a banda pode continuar tranquilo, a sonoridade segue a mesma que tem sido desde 2015. Influência de hard rock, psicodelia e aquele feeling bacana que nem toda banda consegue fazer.

O disco abre com “Orbes”, a música que mais gostei nesta primeira audição que fiz. A composição da guitarra ficou muito boa, alternância dos vocais masculinos e femininos, uma pegada meio sabbathica e claro algumas doses bem medidas de rock progressivo e psychedelic.

Na sequência temos a música “Adiante”, predominando o vocal feminino e já com uma pegada ainda mais progressiva e viajante. Inverte o processo da primeira música, bases mais pesadas cortam em alguns momentos o hard psych da banda. Já digo que o vocal feminino funciona melhor na banda que o masculino, pelo menos para mim. Gosto mais. Acho que Lillian Lessa impõe mais força e presença com seu vocal. A música fecha com uma pegada de sair agitando.

“Azul Profundo” já enfia o pé nessa coisa hard psych de vez. Abusam da sonoridade setentista, solos de guitarra, duo de vocal e os teclados te colocam novamente com o espírito daquele rock que muita gente esqueceu e que vem ressucitando ultimamente em bandas como Necro e tantas outras espalhadas pelo globo terrestre. Na verdade nunca ficou esquecido, a mídia é que não dava muita atenção, sempre esteve de certa forma por ai.

O disco segue com “Viajor”, música que não vou comentar muito, porque já é conhecida de quase todos. Vou deixar todos os links e quem ainda não ouviu, entra lá no bandcamp da banda, tem tudo que lançaram. Só clicar e ouvir, fácil assim.

Adiante (risos) temos a música “Entropia”, que eu diria ser a música que mais me lembra o que eu entendo por stoner, misturado com bandas de progressivo lá dos anos 70, até o vocal lembrou algumas viagens do período aqui do Brasil. Pedro Salvador está de parabéns pelas composições, tudo no seu devido lugar e o melhor, sem pecar pelo excesso.

Já chegando no finalzinho a música “Espelhos e Sombras” volta com uma base mais marcante, um pouco mais de peso e um rítimo menos acelerado, lembrando novamente a escola sabbathica. Não sei, talvez seja tão boa quanto “Orbes”. Os dois vocais funcionam muito bem aqui e combinam perfeitamente com o instrumental. A bateria está afinada, da o peso e energia que a base da guitarra pede, ou seja, “Esquecem que o real à frente, só existe ao passar na mente . Veja, sinta, queira, viva!”.

E fechamos a obra com outra música já conhecida “Deuses Suicidas”. A letra reverberando com a arte da capa talvez?

“No princípio era o verbo explodido em realidade
Deuses, mitos, poemas, cogumelos, sincronicidade
Universos que surgem a partir da entropia e do caos
Universos inventados, assim como o Bem e o Mal…”

Possivelmente a música mais pesada do disco.

É isso, um grande presente de natal para todos que curtem o bom velho novo rock’n’roll, seja ele hard rock, stoner, doom, rock progressivo ou psicodélico. O importante é que “Adiante” é mais um grande álbum lançado por aqui. Genuinamente brasileiro e que já podemos dizer que daqui a uns 10, 20 anos estará figurado na história como um clássico do gênero. Quem duvida, anote ai.

Nunca é tarde para lembrar, compartilhem, curtam, comentm, indiquem aos amigos que possam gostar e sempre procurem ajudar a divulgar a produção nacional. É com apoio e dedicação que as coisas crescem, se fundamentam e se tornam constantes.

Facebook
Bandcamp
Youtube

Cristiano Suarez Facebook

Abraxas Facebook

Um texto de Igor C. Bersan

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s