E a viagem das paulistas Ema Stoned continua muito boa.

Banda: Ema Stoned
Título: Live From Aurora
Gênero: Space/Progressive/Alternative rock
Origem: Brasil
Data do lançamento: 30 de setembro de 2016
Gravadora: Independente

O primeiro álbum gravado por este guarteto de São Paulo foi “Gema”, lá em 2013, divulgamos por aqui, não sei todos vão lembrar, praticamente a metade chegou depois. Talvez essa pausa prolongada seja interessante de ocorrer, principalmente para os músicos, refletir com calma sobre a música, não se sentir sufocado pela repetição da mesma sonoridade. Desta forma Ema Stonned continua musicalmente espetacular quanto no primeiro álbum.

Na verdade, “Live From Aurora” mantêm a natureza viajante e contemplativa do primeiro trabalho de 2013. Flertando com o space rock, passagens progressivas, bebendo um pouco do alternative e indie rock e claro fazendo disso um som difícil de se classificar e escrever. Depende de embarcar mentalmente com elas através das composições, deixar se levar pela música.

Formada em São Paulo, Alessandra Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo), Jéssica Fulganio (bateria) e Sabine Holler (vocal e guitarra) conseguem ambientar uma atmosfera rara de se encontrar. Muitas bandas se atrapalham com excessos chatos de psicodelia, ou uma fritação alongada de músicas enormes e entediantes. O mais importante não é a complexidade e quantidade de sons viajantes contidos na música, na verdade o psicolismo musical funciona muito melhor dentro do universo da simplicidade, é preciso ficar confortável e deixar a mente ter espaço para trabalhar e isso as garotas souberam fazer muito bem. Pela segunda vez, diga-se de passagem.

O disco abre com “Emanuelle” e depois de 1 minuto que está rolando te coloca com a mente lá nas alturas. Tudo funcionando perfeitamente. Logo você se dá conta de ter esquecido do seu universo cotidiano e a mente se perdeu enquanto a música se passava. Baixo, bateria e guitarra estão perfeitos, sem vocal, só instrumental. Mas a mente é teimosa e já passado mais de um minuto da metada ela começa a retornar os pensamentos, te puxando para a realidade novamente, e você relutantemente pensando em como aqueles minutos foram suaves e agradáveis, e poderia durar bem mais tempo. É possivelmente a melhor música do álbum para mim. São 6 minutos e 32 segundos meus caros que farão vocês esquecer tudo e ficar somente curtindo.

Mas não pensem que o que vem depois irá dar um banho de água fria na sua viagem, seguimos com “Porta Brisa”, começando num rítmo mais lento ainda, quase uma música ambiente, mas com aquela carectéristica de bandas de Krautrock lá dos anos 70. Sabe qual é que eu estou falando né? Que os negos tomavam toneladas de LSD e iam ensaiar e gravar discos. Se estiver em um local silencioso ou com o fone de ouvido, possivelmente estará babando e completamente fora da estratosfera terrestre, mas quando a música chega na metada volta novamente uma sonoridade próxima de “Emanuelle” e você descobre que ainda está na cadeira e no planeta.

“Narval” a música da metade do álbum nos brinda com um vocal em meio a toda essa viagem músical, te deixando um pouco mais pé no chão devido a essa presença mais humana na música. Não sei dizer com exatidão, mas me pareceu que neste álbum temos mais vocais do que no primeiro disco. Me lembrando um poucos as loucuras de umas bandas da Islândia, o vocal funciona para sonoridade. É encerrado o primeiro ato do disco.

O início do segundo ato já trás mais energia com a música “Nhandu”, as guitarras se tornam mais pesadas, o vocal mais forte e a música se torna mais rápida. Tudo parece mudar abruptamente e querer te tirar daquele ambiente pacífico e tranquilizador.

Esta segunda parte do álbum é mais focada no aspecto rock da banda e a música “Stoner Her”, na minha opinião é a melhor deste ato 2 do disco. Não sei porque a minha mente ficava tentando procurar bandas parecidas, no início me veio o álbum “Race of Cain” dos noruegueses Forgotten Woods, depois Kaelan Mikla e assim por diante. Maldita mania que a mente tem de fazer isso. O vocal bem mais forte deu um contraponto interessante com a sonoridade da música, que na verdade funde bem o rock com as passagens mais psicodélicas, talvez até uma coisa meio post-rock, não sei, pode ser viagem minha.

O vocal deixa o disco novamente em “Estrábico”, é a uma fusão um pouco mais equilibrada do rítmo e das viagens, assim como da alternância de referências. Tudo que é bom tem seu fim e a viagem se completa.

Pouco poderia dizer do álbum depois de tudo escrito ai em cima, mas é perceptível que as garotas tiveram um trabalho de pensar na obra como um todo, um disco não muito longo mas que funciona muito bem, não te deixa saturado. Se o ouvinte achar que não foi suficiente, coloque para tocar o primeiro álbum, não deixará nada a desejar.

Só nos basta esperar que continuem nesse caminho, produzindo albuns interessantes e trabalhando no tempo que a música exige.

Ouça, compartilhe, comente com os amigos e apoie as bandas nacionais.

14358850_1040159546102784_6144698800785552323_n

Facebook
Bandcamp

Um texto de Igor C. Bersan

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s