O stoner/doom arrastado dos catarineses Ruínas de Sade

Formada na cidade de Brusque, no estado de Santa Catarina, a banda Ruínas de Sade executa um stoner/doom de primeira qualidade. Com Hugo Grubert nos vocais, Vitor “Bob” Zen na guitarra, Paulo “Cachaço” Machado no baixo e Carlos “Molly” Civinski na bateria, o doom se torna denso, arrastado e pesado como deve ser.

Embora em seu release a banda conte que foi fundada para tocar um som mais progressivo, aqui não tem espaço para firulas, o peso fala mais algo, baixos distorcidos, músicas cantadas em português, abordando o lado negro dos seres humanos e toda a ruína em que nos encontramos.

É interessante perceber que tanto musicalmente, como a arte da capa, desenvolvida pelo ilustrador Ars Moriendee, nos remetem ao espírito das letras, é algo realmente em ruínas, a desolação, o desespero da existência e seus ideiais falidos. Tudo isso pode parecer a princípio desolador, mas a música é boa, talvez seja essa dualidade contida no ser humano, pensamentos ora voltados para aspectos positivos, ora para negativos que fazem com que assimilemos bem a tensão em “Ruínas de Sade”.

É assim que na música “Funeral do Sol” podemos ouvir Hugo Grubert cantar, em um vocal que faz mensão as bandas de sludge, os seguintes versos:

“O medo e a dor que extirpam o calor da espinha tem gosto de ferro
Como avançar quando continuar caminhando parece um erro?
Seguir em frente, arrastando a corrente, o destino te fez condenado
Não há mais sorte quando a própria morte, de preto, caminha ao seu lado”

“Ruínas de Sade” debut lançado em 2016 é mais uma obra prima nacional, indicada para os amantes do doom, para quem curte uma vertente mais sludge e claro, elementos do velho e bom stoner, embora este seja mais sutíl. Riffs soturnos e um vocal desesperador dão o toque deste álbum de estréia dos catarinenses. Que venham mais discos por ai.

Mais fácil do que falar é ouvir, Ruínas de Sade é daquelas bandas que é preciso ouvir para se absorver a obra no todo, os aspectos mentais e densos da música são importantes para que se consiga compreender a proposta da banda.

Aperte o play e se deixe levar pelas ruínas de sade.

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Um texto de Igor C. Bersan

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