The Arataca Stoned Farmers

Banda: The Arataca Stoned Farmers
Título: Tales From Arataca
Ano: 2016
Gênero: Stoner Rock/Metal
País: Joinville (Brasil)
Gravadora: Independente

Lá nos esquecidos anos 90 tinha um conhecido nosso, o apelido dele era Mamute, que curtia stoner e nessa época eu e meus conhecidos eramos mais ligados em black metal, death metal, thrash e doom metal, mas aquele doom metal de influências death metal, My Dying Bride, Celestial Season, Anathema, Paradise Lost e etc. Sempre aparecia com umas novidades, algumas coisas aceitavamos mais facilmente, outras olhavamos com um certo desdém. Eramos nessa época mais radicais.

Nessa época era uma coisa obscura e acho que tinha no máximo uns dois caras que eu conhecia que flertava com o gênero. Depois ele deu uma desaparecida e tipo que não se via mais falar em stoner no meio da galera, aos poucos fomos nos interessando mais, nada como o amadurecimento para podermos apreciar outras formas de se fazer música e o radicalismo ir se dissipando, faz parte em um certo período da vida, permanecer sempre radical se achando o melhor do mundo e protegendo sua visão restrita da realidade já não acho que seja algo útil para a vida de uma pessoa, não que as pessoas não devam fazer isso ou seja condenável, cada um com os seus pensamentos.

Eu sei que se passaram mais de uma década para começar a aparecer outras pessoas no meio, nisso eu e mais um conhecido fomos curtindo e se interessando cada vez mais e tanto o stoner quanto o doom metal eram gêneros que tinham poucos apreciadores, foi assim por muito tempo.

Trabalhamos eu e o Lucas Alexandre (editor na Extravaganza) na Demise Records no início do anos 2000 e sempre chegava uns discos massa da extinta Man’s Ruin Records, nessa época deu para conhecer muita coisa. Lembro que o Daniel Rocha, hoje guitarrista da banda Pesta comprava uns cd’s conosco.

E tanto nos anos 90 e 2000 a coisa era um pouco diferente, as bandas eram mais rockers, era o que alguns gostam de classificar como desert rock, as letras e temáticas estavam mais voltadas para a vida estradeira, viagens lisérgicas, motos, mulheres peladas, skate, viagens interplanetárias e filmes trash, hoje a coisa parece mais dominada pelo ocultimo, mitos lovecraftianos, filmes sobre vampiros, magia e bruxas, é claro que ainda existe os temas antigos, mas vejo que por influência da Europa e a avalanche de bandas suecas trouxeram essa temática com maior força, uma coisa que parece ser foco dos europeus.

Depois desse hiato onde parecia que o gênero ia morrer, ou ficar tipo o grunge, somente poucas bandas fazendo esse tipo de som, eis que a uns 5 anos atrás a coisa começou a tomar forma e explodiu, tendo nos últimos 3 anos crescido em interesse por parte do público de maneira absurda.

O Brasil sempre teve bandas muito boas, em todos os gêneros do metal, porém eu confesso que nunca iria imaginar pelo cenário apresentados por todos os anos anteriores que o stoner apresentaria tantas bandas em tão pouco tempo e qualidade tão boa quanto temos visto. Son of a Witch, Witching Altar, Necro, Pesta e Dirty Grave, isso para citar algumas. Agora é vez de acrescentar a essa lista os catarinenses do The Arataca Stoned Farmers.

Até dois dias atrás não tinha nem ouvido falar e com a postagem de colaboradores e para que mandassem material os caras entraram em contato e mandaram o bandcamp para que escutassemos o ep “Tales From Arataca”. Logo ao ouvir as duas músicas e ver a arte da capa já me lembrei de todo esse passado.

Uma que o som tem essa pegada rocker, com muita qualidade e umas bases de guitarra muito bem arranjadas, é o som do clima stoner, os caras tem o espírito dessa fase mais rock’n’roll do gênero, fazendo um contraponto com essa onda blues e setentista está tando em voga. Além de que a temática parece resgatar um pouco a onda de viagens interplanetárias e extraterrestres. A capa do álbum tem um celeiro com alguns “objetos voadores não identificados”, as velhas espaçonaves.

A qualidade de produção das duas músicas apresentadas em “Tales From Arataca” é competente, o que nos permite dizer que os caras sabem o que estão fazendo e se continuarem assim e se depender de mim terão vida longa.

O destaque fica para a música “The Old Tree”, que tem uma condução mais doom, sem perder de vista aquele riff de guitarra que dá vontade de pegar a estrada colocar o som no máximo e curtir a velocidade, tal qual a proposta de muitas bandas de desert rock. Tudo funciona muito bem nas duas músicas, a guitarra de Angelo Bracht  e o vocal de Tomate Schmitz se alinham em composições competentes, a bateria de Tutu Gunter complementa o som com aquela sonoridade acústica, sem tantos efeitos e trucagens de estúdios, o negócio é na raça mesmo como deve ser o stoner, analógico. Por fim temos o baixo de Gustavo Hansen dando aquele toque importante que o baixo tem para o gênero.

Somzeira com o selo de qualidade brasileiro, stoner para ninguém botar defeito e uma banda que entra para a minha lista de melhores bandas nacionais. Se você curte o universo stoner, certamente vai gostar do som dos caras. O ep está disponível no bandcamp da banda, pelo sistema “name your price”, caso alguém se sinta disposto a contribuir para o trabalho vá lá e dê a sua contribuição. É com a ajuda de todos que a cena se fortalece e novas bandas surgem, espaços irão surgir para ter shows, camisetas e tudo mais que é preciso para manter uma movimento completo. Nossa função aqui na Extravaganza é promover a divulgação, com o tempo e se tudo der certo ajudar a construir uma comunidade e uma rede de comunicação para que os nichos musicais consigam se estruturar.

Vamos ver se fazemos uma entrevista com os cara e descobrimos quais são esses contos de Arataca ou mesmo o que é Arataca. Continuem conosco e aguardem.

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Um texto de Igor C. Bersan

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2 pensamentos sobre “The Arataca Stoned Farmers

  1. Putz! Tenho uma porrada de discos da Man’s ruin e da Meteorcity lá em casa que comprei com vocês na Demise! E muita banda massa que só rolou de conhecer lá, tipo Lost Goat, Misdemeanor, Suplecs, etc. Abraço!

    Daniel (Pesta)

    • Massa demais Daniel, a Man`s Ruins tinha umas ondas diferentes, lembro de uma banda chamada Gaza Strippers, acho que é isso mesmo, tinha uma pegada mais punk rock.

      Menos apegada a essa onda setentista, mas tinha muita coisa com influência sabbath, como por exemplo um disco do Operator Generator, o que tem um mamute na capa.

      Bons tempos.

      Igor

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