O passado nos persegue com The Shiver

Banda: The Shiver
Título: Walpurgis
Ano: 1969
Gênero: Progressive Psychedelic Rock
País: Suíça
Gravadora: Maris Musik

Dizem que o passado nos persegue, é bem provável que seja verdade. Com a onda revival setentista produzida pela avalanche de bandas stoner, ou seria melhor dizer como alguns querem “vintage rock”, um olhar para o passado se faz necessário.

Se você é do tipo que acha que tudo isso é a invenção da roda, sinto muito, mas pretendo desconstruir esse pensamento, agora se você é do tipo que escuta todas essas bandas que soam como as dos anos 70 e quando alguém coloca uma delas para tocar, torce o nariz e diz que não curte essas ondas, muito viajandão e psicódelico para você, infelizmente isso faz de você aquilo que a maioria critica, simplesmente um seguidor de modismos.

Vamos em frente, porque muita coisa boa foi feita nos anos 1970 e a Extravaganza foi pensada para apresentar uma série delas.

Hoje apresento os suiços The Shiver, com apenas um álbum na carreira chamado “Walpurgis”, gravado lá nos idos de 1969, onde toda a loucura dos anos 70 estava germinando para no ano seguinte cair na lisérgia, sexo e muito, mas muito mesmo rock’n’roll.

As bandas da europa sempre foram mais obscuras e com temas mais soturnos, envoltos em ocultismo, paganismo e claro que tudo isso regado a LSD, cogumelos e bebidas. Era a época onde tudo isso florescia entre a juventude e não havia ainda tanta repressão, acredito até que fosse algo corriqueiro e normal. Não me entendam mal, não quero dizer que isso é totalmente legal de se fazer, muitas pessoas se tornaram dependentes, muitos músicos morreram em função de overdose ou destruíram a carreira por conta da loucura desenfreada. Tudo requer limite e sabedoria.

“Walpurgis” é aquele som viajante, está ali nas redondezas do Krautrock, poderiamos de certa forma classificar como tal, porém o Krautrock é um gênero exclusivamente para designar bandas alemãs do período, como são da Suíça ficamos no progressive psychedelic rock mesmo. Em 1969 ainda não era comum o peso nas guitarras, o álbum tem muito teclado, pouco vocal e um ritmo lento. Para quem é mais apegado ao hard psych norte-americano ou o peso de bandas como Black Sabbath que viria no ano seguinte, ainda não é o momento, vamos chegar lá.

É de bandas assim que surgem hoje Blood Ceremony ou Lucifer, inspiradas por bandas como The Shiver. É necessário ouvir o passado para entender o presente, a música, assim como toda arte é um contínuo, está sempre se reciclando, mas também retornando envolta em novas roupagens ao passado.

Um disco que eu acho que vale a pena ter na coleção, pela qualidade musical, pela proposta e principalemente por fazer parte da história do rock’n’roll. Disco único e uma banda que poderia ter ido longe, mas infelizmente nos deixou somente esse registro.

Um texto de Igor C. Bersan

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