Infini e a ficção claustrofóbica

Direção: Shane Abbess
Gênero: Horror/Suspense/Ficção-Científica
Ano de Produção: 2015
Duração: 1h 50m
País: Filipinas

Apesar de ter um número maior de produções hoje, a ficção-científica enquanto temática para o cinema ainda é bem menor do que outros gêneros. Talvez seja o custo de produção, o tempo que leva para produzir, pouco público interessado ou mesmo poucos roteiros interessantes.

Mas eles estão sempre por ai, alguns obscuros, outros nem tanto, concorrendo ao Oscar, como por exemplo “Perdido em Marte”, candidato agora em 2016 ou “Gravidade” que concorreu em 2014.

O diretor Shane Abbess não tem uma carreira muito vasta no cinema por enquanto, este foi o primeiro filme que assisti dele e é o único como diretor, estou com “Terminus” onde Shane é o produtor executivo e tem um contexto parecido com “Infini”, mas ainda não tive tempo de ver, verei em breve e deixo aqui a minha opinião para vocês. O outro filme que ele produziu foi “Gabriel”, que não teve muita repercussão e praticamente nenhuma palavra dos críticos.

Eu como fan de ficção-científica assisto quase todos que posso, assisti ao trailer, achei que poderia ser interessante e por mais que não seja aquele filme absurdamente bem produzido e que algum produtor investiu milhões na ideia, me surpreendeu positivamente.

“Infini” é aquela ficção-científica densa, que aposta em criar um clima claustrófobico e que se desenvolve lentamente, deixando os espectadores angustiados, mas esperando que chegue ao final.

O roteiro não é complexo e difícil de se acompanhar. No futuro uma tecnologia permite que se viaje para qualquer parte do universo, por um sistema parecido com o teletransporte, o grande problema é que é extremamente perigoso. Na narrativa um grupo de elite deve se transportar em uma missão para resgatar Whit Carmichael (Daniel McPherson) que ficou preso em um outro mundo que servia para exploração de minério ou minerais.

(spoilers, se você tem intenção de ver o filme não leia)

O grande problema acontece quando o resgate chega e encontra todos mortos, até que Carmichael informa que foram contaminados por um vírus, que causa um surto, algo como uma raiva e um ardor na pele insuportável.

Essa é a premissa básica para se criar todo o clima, os personagens vão se tornando cada vez mais violentos e paranóicos, enquanto isso Whit Carmichael que parece não ser afetado ou possui uma resistência maior a contaminação tenta desesperadamente fugir de seus resgatantes, que já contaminados matam uns aos outros.

É difícil ver filmes que funcionem bem com esse clima de suspense psicológico e apesar de ter uma nota baixa no imdb eu achei bem interessante, os atores são competentes e a direção por mais que não seja das melhores, consegue manter a tensão e cumpre o que propõe até o final.

E por falar em final ainda temos um desfecho que filosoficamente alfineta alguns aspectos da natureza humana e da forma como nos comportamos, as escolhas que tomamos ao selecionar nossos sentimentos e a forma como os expressamos.

O filme dosa bem terror, suspense, ação e a ficção-científica. Não tenta ser maior do que é, jogando aquele tanto de informações complexas em tramas igualmente complexas e que no final acabam por não dizer nada.

É paranóia, loucura, alucinação, sonho ou são efeitos da tecnologia que os fazem viajar grandes distâncias? Assista e fique com essa pulga atrás da orelha.

Um texto de Igor C. Bersan

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