Uma abordagem Neofolk

Algumas bandas migram do metal para gêneros diversos, sempre que possível irei trazer algumas delas para compartilhar com vocês. Desde o início a intenção do Lucas e minha era de não divulgar metal na revista, cena esta em que já estamos inseridos a tantos anos. Mas como estou constantemente procurando e conhecendo novas bandas desta cena, acabei por me envolver e posteriormente a ficar a cargo de um outro site/blog. Ficou dividido os assuntos em dois blogs, o metal eu posto no shockXpress (www.shockxpress.com.br) e os outros gêneros ficam por conta da Extravaganza. Assim diminui muito os conflitos ideológicos e fica mais fácil. Isso não quer dizer que vez ou outra eu não divulgue aqui uma coisa ou outra de metal, mas não é exatamente o foco e proposta da revista. Quem curte metal e quer conhecer algumas bandas que divulgo, entre no site e curta a fanpage (www.facebook.com/shockxpress), muita banda legal eu tenho divulgado por lá.

Dito isto, o disco que trago aqui e que foi uma grata surpresa, se chama “Freiheit”. Lançado em 2014 e sendo o oitavo disco da carreira dos austríacos do Dornenreich. A banda começou a carreira com o lançamento de “Nicht Um Zu Sterben” em 1997, um black metal até sem muita expressão, mas foi em 2001, quando do lançamento de “Her Von Welken Nächten” que a banda apresentou um black metal original e com uma visão mais vanguardista. Dai em diante cada disco foi um obra de arte.

Eis que em 2 de maio de 2014 lançariam “Freiheit” e imagino eu que quem acompanhava a banda teve uma surpresa, a orientação musical mudou bastante, de um metal que alternava momentos cheios de agressividade a passagens lentas e atmosféricas, a banda passa para um “neofolk”. Eu coloquei neofolk entre aspas, porque eu não sei se era essa mesmo a intenção da banda, se inserir nesta cena, mas musicalmente é o mais próximo que eu consigo descrever, o som é muito próximo deste gênero.

Em quase todo o disco temos o tradicional do neofolk, composições de violão, acompanhado dos vocais e a presença de outros instrumentos que vão surgindo e complementando as composições, como violino, no caso do Dornenreich, temos guitarra, bateria, baixo e percussão. O interessante é que o vocal ainda tem muito do período final da fase metal, não nos deixa perder de vista a banda de outrora, mas certamente se não fosse isto, ninguém que acompanha a banda desde o início de sua carreira, reconheceria.

Todos que estão habituados a ouvir neofolk, sabem que é uma música repleta de sentimentos, harmonia, nostalgia e sobretudo relaxante. Música que reflete na atualidade um espírito mais interiorano, a coisa da natureza, da integração do espírito dos homens com essa natureza, suas raízes e a cultura popular.

Pode parecer não fazer sentido nenhum para uma pessoa no Brasil ouvir uma música com essa temática, sendo ela feita por alemães, suécos, autríacos, noreguese e tantos outros povos. Na verdade a música e os temas são atemporais e não possuem um lugar fixo, trata-se de uma natureza comum a todos os povos. Claro que sendo os músicos de uma região do planeta, vai se inspirar na tradição popular, algo que lhes é mais próximo, mas os sentimentos e temas que as musicas evocam estão em todos os homens, indiferente de nacionalidade. São universais e representam a busca de algumas pessoas por entrar em sintonia com a natureza que o cerca, no caso do neofolk, de uma natureza que vai se perdendo a medida que avançamos com o tempo e as tecnologias.

A música nos transporta para um estado mais verdadeiro. É um momento de escapismo da sociedade competitiva, da busca incessante por coisas exteriores, pelas sensações imediatas, as emoções baratas e o vazio de não pertencer verdadeiramente a nada. Aprisionado no frio concreto de uma sepultura colossal, conhecida como metrópole. Onde o homem verdadeiro perdeu o seu real espírito e virou um ferramenta.

Um excelente álbum que eu recomendo a todos. Procurem os discos antigos, por mais que não gostem ou tenham alguma dificuldade com o metal. Nada melhor do que se dispor a novas experiências, expandir os horizontes e conhecer coisas novas.

Para quem tiver interesse e gostar de ler entrevistas, na página da revista online Metal Imperium tem uma entrevista com a banda a respeito deste álbum. Para ler clique aqui.

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Por Igor C. Bersan

 

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