Oldboy de Spike Lee

Diretor – Spike Lee
Ano de produção – 2013
Gênero – Drama/Ação/Thriller
País de origem – Estados Unidos
Elenco – Josh BrolinElizabeth OlsenSamuel L. Jackson e Sharito Copley



Em 2003 o diretor sul-coreano Chan-wook Park dirigiria o filme “Oldboy”, que se tornaria um filme cult rapidamente, sendo aplaudido de pé, elogiado por diretores cult como Quentin Tarantino e com apresentações em mostras e festivais indie ao redor do mundo. Algo merecido, o filme é muito bem dirigido, interpretado e narrativamente bem construído.

A indústria de Hollywood, sedenta como anda em refilmagens e mais refilmagens, resolve, uma década depois fazer um remake do filme. A coisa começou a incomodar os fans já ao anunciar que Spike Lee seria o diretor. Não tenho nada contra o diretor, mas também não tenho nada a favor. Tem uma ou outra coisa interessante na sua filmografia, mas não me considero um fan.

Por fim, o filme foi lançado em 2013 e infelizmente muito inferior ao original. Mas vamos por partes. Temos sempre que ter em mente que o cinema enquanto indústria nos Estados Unidos é uma coisa de louco. Existem interferências e controles dos mais diversos, vindos de agentes, censura, produtores, questões legais, culturais e tudo mais. Tem a visão comercial de investir pesado e evidentemente lucrar pesado com isso. Portanto é muito difícil culpar o diretor, pode ser que a ideia original tenha sido boa, mas todos esses elementos podem ter entrado em cena e o filme acabou perdendo o rumo. Eu acredito um pouco nisso, até mesmo porque o filme se perde mais na forma da organização e construção narrativa.

Primeiro vamos falar da direção, que é eficiente, tem bons enquadramentos, planos bem construídos e uma fotografia adequada. Fiquei até surpreso com Spike Lee, ele realmente conseguiu fazer uma direção que funciona para o remake, lógico que é a minha opinião. O quarto onde o personagem fica preso é parecido com o original.Interessante  também é o personagem comer sempre comida japonesa, fazendo com que mais adiante esse mesmo personagem tenha que ir de bar em bar, seguindo uma pista de seu captor. Clara referência ao original. Apesar de gostar da cena original, a famosa cena de luta com o martelo no corredor. Neste remake ficou diferente mas funcionou, um plano sequência em que acompanhamos o personagem descendo vários níveis de um edifícil, ou seria melhor dizer o subsolo de um edíficil e claro dando martelada em todo mundo.

A segunda coisa são as atuações. Aqui começam a surgir os problemas. Josh Brolin (Joe Doucett), que no original é interpretado por Min-sik Choi, não está mal no papel, interpreta bem e o crédito pode ser dado a ele na sua integralidade, pois é o único. Mas uma coisa é certa, Min-sik Choi é infinitamente melhor e o design de figurino e a maquiagem na versão original nos passam uma sensação de verossimilhança infinitamente superior na caracterização do personagem . O cabelo, a experssão no rosto, as olheiras, tudo nos fazem acreditar que o homem esteve tantos anos em cativeiro, o que não acontece tanto neste filme, embora dentro do quarto funcione bem e os dois filmes se aproximem.

Elisabeth Olsen (Marie Sebastian), muito sem expressão, atriz água com açúcar que não vale nem apena se alongar muito em falar dela.

Agora me diga Sr. Spike Lee, que diabos é aquilo com o Samuel L. Jackson (Chaney) e Sharito Copley (Adrian)? São tão caricatos os personagens que conseguem nos fazer ter uma certa repulsa e pouco nos importamos com eles. Samuel L. Jackson com umas roupas ridículas e um moicano descolorido, pior ainda tentando soar ameaçador, é no mínimo patético a forma como foi constuído o personagem. Não sei se é paranóia minha, mas todos sabem que Spike Lee tem um rabo preso com o Tarantino. Especialmente no que diz respeito a este personagem, tem alguns diálogos que pretendem ser parecidos com os criados por Tarantino e até seriam, como por exemplo quando diz “Juro por minha mãe e mais oito branquelos”, só que o personagem está de tal maneira caracterizado, que simplesmente não funciona, faz com que soe mais ridículo.

Sharito Copley por sua vez interpreta um homem pertubado e totalmente perdido por sua vingança, mas aqui também ele se apresenta de tal maneira caracterizado que acaba dando uma certa dó do porsonagem. Ele tem uma vozinha irritante e fina, trejeitos e uma homosexualidade tão afetada que incomoda. A interpretação é boba e exagerada.

Essas coisas não existiam no original, mas elas são necessárias para a construção da narrativa e principalmente pela percepção de quem vê o filme. Não tem como causar o impacto do original construindo personagens tão imbecis.

Então surge a narrativa. Os elementos estão lá, a prisão, a definição da vingança, o incesto e as reviravoltas. No original tudo isso foi criado para dar uma sansação final arrebatadora, uma surpresa e um tapa na cara. Aqui ela é feita de maneira altamente didática, você antecipa as ações dos personagens, desvenda a narrativa com antecedencia e por fim pouco se importa com os personagens, com excessão de Joe.

Percebemos o quanto o roteiro pretende ser moralista, coisa que não acontece no original, antes tudo acontecia naturalmente como algo que ocorre na vida, onde as ações vão se sucedendo como em uma reação em cadeia, o ódio, a sede de vingança, as coisas que dizemos inconsequêntemente e os resultados dessas palavras. Neste novo filme eles precisaram criar uma estrutura familiar totalmente desestruturada, o pai que molesta a filha e essa gosta de ser molestada, um suposto triangulo amoroso entre o pai a filha e o filho e por fim um pai que executa a sengue frio a família inteira quando tudo é descoberto. Ou seja, desejam criar em quem está vendo, uma certa repulsa, uma conformidade, uma aceitação de disfunção para essa família, a inadequação a visão moralista da sociedade americana e isso fica claro na atuação exagerada de Sharlito. Eles precisam nos convencer ainda no meio do filme de que aquilo tem origem em uma família infame e doente. O que os norte-americanos parecem não entender, é que ao fazer isso eles simplesmente destroem a narrativa original e por sua vez o impacto da mesma.

Ao montar o filme eles invertem os acontecimentos, isso para que nós já tenhamos um quadro bem formado dessa família e do captor de Joe. O que parece que eles querem é que tenhamos um distanciamento do persongem de Sharito. Sendo ele produto desta família demente e incestuosa, pouco nos importa o fim que o personagem vai ter. Sendo moralista como somos, não seria nada mal que ele morresse, desejamos isso ao ver um personagem da maneira que foi construído. No original temos até um certa simpatia pelo personagem, entendemos a motivação e como aquilo funcione, mesmo que seja óbvio que alguém que se dedique a bolar um plano de vingança dessa proporção e no tempo despendido para executá-lo. Está claro que o personágem é pertubado, não precisa dizer e ficar tentando enfiar goela abaixo isso da forma como fazem no remake. Por isso é extremamente didático.

Quando chegamos no desfecho, no original era impactante, tudo fazia um sentido repentino. Neste filme, ao chegar no mento final já meio que percebemos e é fácil deduzir tudo o que vai acontecer. Todos os elementos, personagens, montagem e determindas falas nos indicam o desfecho. Não é porque já vimos o filme, pessoas que não viram o filme original, conseguiram deduzir com uma certa facilidade o final dos personagens.

Um filme que serve como entretenimento e poderia até se configurar como um filme interessante, porém como existe um filme original, posso dizer com certeza. O filme de Chan-wook Park é infinitamente melhor. Isso faz com que esse novo filme se torne um filme medíocre. Uma coisa que os americanos precisam entender sobre essa coisa do remake é que existe um outro filme como base de comparação, eles precisam no mínimo criar um filme com o mesmo nível do original, embora eu seja da oponião que o remake não deve ser idêntico ao original, se fosse para ser assim, eu assitiria o original, que vantagem tem ver um filme exatamente igual ao outro e que eu já sei o final. Ele precisa captar a essência original. E isso é raro nos remakes.

Spike Lee, sinto muito, mas não foi desta vez. Assistam para poderam tirar as próprias conclusões, mas não deixem de conferir o original, caso não tenha visto ainda claro.

Por Igor C. Bersan

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