Sentindo a música – Raison D`être

Continuando a falar sobre os estímulos causados pela música e os caminhos que nós levam a esse “sentir”, algo neste caso mais importante do que simplesmente ouvir a música.

No passado usava essas combinações de estímulos da uma forma, que em retrospectiva, hoje julgo ser incorreta. Normalmente vejo a maioria das pessoas fazerem isso.

Se estava, por exemplo, triste. Escutava uma música que me estimulava exatamente neste sentido, normalmente a música era bem obscura. Quando eu estava em um “alto astral”, curtia um rock, uma música mais alegre e rítmica. Na verdade a música neste sentido acaba se configuarando como algo próximo de uma prática meditativa, talvez seja uma capacidade particular minha e de algumas pessoas, em verdade não sei dizer ao certo e provavelmente nunca fique sabendo. Então se estamos em um “baixo astral” e ouvimos músicas que potencializam isso, é certo que o(s) sentimento(s) e emoções relacionados a este aspecto vão se intensificar. Mas cada um dever procurar saber qual é o seu limite. O problema começa quando se enche demais o recipiente a ponto do mesmo transbordar. Por isso, para mim é uma coisa de prática, pode levar a vida inteira e alguns podem nunca nem conseguir entender realmente o que se passa, vão ficar sempre falando que é bizarro e tudo mais. Da mesma forma é com os sentidos e emoções inversas a estas. Uma coisa que pouca gente teve oportunidade de sentir e por exemplo uma alegria “ultra intensa”, se ela cresce absurdamente, algo acontece dentro da pessoa que experiência, fazendo com que os pensamentos negativos comecem a surgir involuntáriamente, é como um dispositivo de proteção. Todos os lados em intensidades elevadas são ruins, a “mente” não conporta muito bem uma alegria exageradamente intensa e nem uma tristeza exageradamente intensa.

Onde reside a dinâmica então? Reside no equilibrar e ouvir de modo invertido. No balanço produzido pela mente, ora vai dos sentimentos e emoções mais hormoniosas e positivas, ora vai por sentimentos e emoções menos harmoniosas e negativas, isso durante praticamente todo o dia. Assim é com todo mundo, salvo aqueles que conseguiram com a prática atingir um nível de equilibrio entre esses opostos. O objetivo aqui é usar a música neste sentido, conciliar harmonicamente os sentimentos opostos. Para isso devemos expor a natureza de um sentimento, com o seu oposto. Até que se consiga fazer isso naturalmente, chegue a manter a nulidade das emoções e possa navegar por esses sentidos sem ser afetados por eles. O caminho é o ponto central onde as duas forças não mais exercem influências sobre esse mesmo ponto. Em verdade e de uma maneira metafórica, a mente deve ser como uma pessoa em uma viagem de barco. Está sendo conduzida, balança conforme o movimento do mar, segue na velocidade do motor, viaja com todo o ambiente circundante e os outros passageiros, mas quem guia o barco aqui não é você e sim o capitão. O passageiro segue a observar a passagem do tempo e a mudança do cenário.

Enfim, se o estado é no sentido da positividade, neutraliza-se ouvindo músicas com sentidos negativos. Se o estado é o negativo, controle ouvindo músicas positivas. Isso é um instrumento externo e que por fim deve se tornar permanente mesmo sem música. Os que conseguirem atingir esse nível, provavelmente vão chegar no ponto chave da questão. Num dado momento do processo a música não mais irá afetar o ouvinte em sentido algum, ele já adquiriu a capacidade de se manter na nulidade. Assim a música fará a sua mágica. O ouvinte poderá ser conduzido por ela, mas sem ser afetado por essa mesma música. Você poderá sentar calmamente e deixar que ela produza imagens em sua mente, isso se quiser usar como um instrumento criativo e artístico. Pode deixar que ela expanda sua mente para interpretações diversas sobre a existência e assim por diante. Cada um encontrará a função do processo.

Diante disso tudo, apresento então Raison D’être. Formado em 1991 na Suécia por Peter Andersson. Surgido na cena industrial e dark ambient, isso quando essa começou a chamar atenção de um grupo seleto de ouvintes. Tenho um especial carinho pelo Raison D`être, principalmente por ser uma música relamente capaz de produzir interpretações emocionais. Não vou expor as minhas, porque acho importante que cada um descubra em si mesmo o que elas produzem.

Peter Andersson é um músico ativo dentro dos gêneros e subgêneros imerso na cena industrial, responsável por projetos como Atomine Elektrine, Bocksholm, Necrophorus, Stratvm Terror, Panzar e outros.

Vou disponibilizar para audição dois discos. Respectivamente o último álbum de inéditas, lançado em 01 de março de 2014 e que se chama “Mise en Abyme”. Na sequência um disco de 2000, este foi o primeiro trabalho do musico que tive a oportunidade de ouvir. O nome do álbum é “The Empty Hollow Unfold” e para mim se configura bem mais obscuro que este novo trabalho.

Raison D’être – Mise en Abyme (01 de março de 2014)

a1079185406_10

 

Raison D’être – The Empty Hollow Unfolds (15 de abril de 2000)

raison

Site
Facebook

Todos os registros gravados pelo Raison D’être estão disponíveis clicando aqui.

Por Igor C. Bersan

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s