Sentindo a música

Certa vez me perguntaram como eu conseguia ouvir gêneros como o Darkwave, Dark Ambient, Drone, Noise e etc. A resposta para isso não é muito simples, mas tentarei explicar da melhor maneira possível. Quem sabe não sirva para compartilhar com algumas pessoas de uma natureza mais profunda do sentir a música.

Normalmente as pessoas são atraídas pela música no aspecto rítmico, normalmente associado aos sentimentos mais “ordinários”, com a euforia, os desejos, a paixão intensa, a alegria intensa e etc. Por isso o funk, o rock (não todos, mas uma grande maioria), o samba, a música eletrônica (aqui também não todos) e uma série de gêneros que são mais baseados no rítmo, são assimilados pela maioria e se é dado uma maior atenção do público geral, que muita das vezes tem na música um momento de eliminar a catarse diária da conturbação constante do mundo moderno.

Mas é bem verdade que existem uma outra infinidade de gêneros que não estão inseridos exatamente nesta abordagem puramente rítmica. Estes trabalham outros aspectos, como por exemplo um Neofolk ou um Ambient, seja ele Lounge ou New Age. Esses já possuem uma reflexão mais interior, a “mente” ou “consciência”, como queiram, pode ir além da observação direta da música, aqui me refiro a sentir a música. Deixar que a música te conduza no aspecto mental. Não é mais o corpo e o exterior que a música atinge e sim a mente e o interior.

E quando nós tratamos desse aspecto da música, podemos dizer que ela tem dois caminhos. O primeiro, que por falta de uma palavra mais adequada tratarei como “escuro” e o outro que seria um lado mais “luminoso”. Definidos como o “escuro”, toda a classe de sentimentos voltados para o mais “baixo”, que seriam a tristeza, a deseperança, o vazio, a melâncolia e todo a natureza de sentidos voltados para a negatividade. E os “luminosos” tratariam de seus opostos, a plenitude, esperança, a beleza, a sensação de preenchimento e pertencimento, ou seja, todo sentimento voltato para positividade.

As pessoas ao entrarem em contato com gêneros que fazem parte dos caminhos escuros tendem a se incomodar, muito com razão, elas não estão acostumadas a lidar com esse tipo de sentimento, embora eles existam constantemente com todas as pessoas. A maioria procura esconde-los, usando todo tipo de artifício externo para bloquear. Nínguem gosta dessa natureza, pois ela traz a tona sempre a realidade de uma presença interior que deve ser mantida escondida, na maioria das vezes por medo de sucumbir a ela.

Mas o que realmente acontece é que se aprende com elas. Estão lá e é confrontando-as que aprendemos a usar todos os sentimentos em prol de algo, é como um péndulo cujo objetivo principal é interromper o balanço e ficar parado. Todas essas naturezas de sentimentos devem coexistir de uma maneira equilibrada. Nem escuro e nem luminoso, mas uma meia luz.

Então eu ouço uma infinidade de gêneros. A questão é que eu aprendi a balancear a natureza do sentimento pela exposição ao sentimento contrário. Cada música é escolhida com o intuido de manter uma regularidade no campo emocional.

Dito isto, tirando os gêneros de predominância do rítmo, eu já não ouço mais a música, eu sinto a música. Por mais maluco que pareça, e eu não sei muito explicar além disso. É assim que funciona. Não vejo nenhum problema em ouvir um Raison D’être, Deutsch Nepal, Nebelung, Orplid e uma infinidade de músicas que para a maioria soa bizarro. Para mim elas simplesmente fogem daquilo que elas tentam não compreender, que é uma dualidade de sentimentos existentes dentro do ser, que não podem ser elimindos, não podem ser escondidos, mas eles podem existir perfeitamente em uma hármonia e aqui a música serve para dar suporte a essa prática ou talvez seria melhor dizer nos conduzir pelo caminho da anulação pelos opostos.

É como na física, duas forças de igual valor em sentido contrário, se anulam. As forças não deixam de existir e de agir, mas no seu centro, não é mais possível se perceber essa força agindo para lado algum.

Então é nesse sentido que apresentarei uma variedade de bandas, que estão para além da música no sentido direto da percepção, mas que se inserem na categoria da música para trabalhar os sentidos. Quem tiver estômago e interesse em explorar esse universo nada convencional de sentir a música, seja bem vindo e “para avante e além” (risos).

Vou começar com os alemães do Nadja, que recentemente, no dia 20 de fevereiro de 2014, lançaram seu mais recente álbum de inéditas “Queller”. O disco tem 4 músicas e que exploram uma variedade de gêneros, shoegaze, ambient, dark ambient, drone, experimental, tem um chiado constante no fundo, caracteristico do noise e elementos do rock.

É um bom disco para começar a explorar esse universo porque ele não é tão lento e introspectivo. É mais fácil de assimilar que um Raison D’être, por exemplo.

Sempre digo isso. O ideal é ouvir em silêncio, sem interrupção e com um volume médio, nem muito baixo, para não deixar de ouvir integralmente a composição e nem alto demais, isso atrapalha e pertuba um pouco o ambiente.

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Para saber ou escutar mais clique aqui.

Por Igor C. Bersan

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