KABOOM e o mundo nonsense dos adolescentes

O meu primeiro contato com o diretor Gregg Araki, que apesar da fisionomia e nome oriental é natural dos Estados Unidos, mais precisamente de Los Angeles, Califórnia, foi com o filme “Mistérios da Carne”, lançado no ano de 2004  e que traz um Joseph Gordon-Levitt no papel de Neil, um adolescente homosexual, apresentado no filme como nascido desta maneira e que desenvolve uma relação com um professor, que acaba por desencadear uma história paralela, e so final vamos compreender realmente qual a relação que esses personagens e a trama terão entre si. Não vale a pena falar muito do filme agora, pois, em uma oportunidade mais a frente é minha intenção colocar uma indicação ou até mesmo uma matéria sobre este filme na revista.

Assim que comecei a procurar saber um pouco mais do diretor, que até assistir “Mistérios da Carne”, não sabia nada, me deparei com esse outro filme “Kaboom”, dois motivos me levaram a querer assistir o filme. O primeiro porque gostei muito do filme anterior que havia assistido e segundo devido a estética das capas e cartazes,  além de se tratar de adolescentes, diga-se de passagem que são personagens recorrentes nos filmes de Gregg Araki, na época estava buscando referencias visuais que pudessem me estimular com trabalhos para estampas de camisetas.

Não é que mais uma vez me surpreendi com o filme deste diretor. A estética do filme é interessante, com cores vibrantes, algo um tanto lisérgico, que me lembrou o filme “Medo e Delírio” dirigido em 1998 por Terry Gilliam, que também apresenta personagens que usam drogas constantemente durante a projeção, fazendo com que se misture as alucinações com a realidade.

O segundo aspecto que me chamou atenção foi a atuação, por ser um filme com uma narrativa tão nonsense e cujos personagens são tão deslocados da realidade, ou não, pelo menos a minha adolescência não foi assim, mas pode ser que tenha uma galera assim, vai saber né. Todos os atores seguram bem os personagens, principalmente June Temple, que está muito bem no personagem e claro Thomas Dekker, cuja narrativa gira praticamente em torno do seu personagem o naturalmente alucinado Smith, que não se decide se gosta mais de garotas ou garotos e que mantem um relacionamento com a maluquinha “London” (June Temple), mas desenvolve uma espécie de obsessão com o seu amigo de quarto.

Todos os personagens são em um certo sentido deslocados da realidade e com uma inclinação homosexual ou bisexual.

O mais interessante do filme é a sua narrativa, que parece não haver realmente um sentido, é um filme sensório e reflexivo, é como tomar umas gotinhas de LSD, a medida que vai transcorrendo o filme mais surreal e sem sentido a coisa vai ficando e é exatamente nesse ponto que o filme ganha a sua genialidade. Quem disse que um filme tem que ter um sentido ou uma moral da história? É assistir e ao mesmo tempo embarcar na onda dos jovens que estão na tela, ser um adolescente amalucado, cujas teorias imaginárias podem ser as mais alucinadas de todas, mas e daí, a busca por sentido é somente para no final descobrir que não existe sentido algum. Poderia dizer que é uma forma de se drogar sem precisar ingerir nenhuma substância. Talvez essa tenha sido a intenção de Gregg Araki neste filme, nos transportar por esse universo lisérgico e sem sentido (mas criativo) dos adolescentes.

Cheio de teorias conspiratórias, drogas, sexo, homosexualidade, bisexualidade, filosofias nonsense de mundo, é o típico filme que mantém o interesse até o final, embora seja difícil de acompanhar, pelo menos até um certo ponto. É com certeza um filme que irá agradar o público que curte esse tipo de narrativa.

Fica a dica para os homofóbicos e pessoas com moralidade muito rígida, passem longe deste filme, vocês com certeza não vão gostar nem um pouco, aliás, não vejam nenhum filme deste diretor.

Igor C. Bersan

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